Ex-diretor de agência pagou dívida de R$ 2,3 mil do carro do irmão de Rose

Relatório mostra que o grupo de Vieira regularizou licenciamento do veículo de Edson Nóvoa; pagamento faz parte de série de favores prestados a ex-chefe de gabinete da Presidência em SP

O Estado de S. Paulo,

02 de dezembro de 2012 | 23h25

O grupo comandado por Paulo Vieira pagou uma dívida de licenciamento de R$ 2,3 mil de um carro do irmão de Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo. Relatórios da Operação Porto Seguro mostram que um irmão do diretor afastado da Agência Nacional de Águas (ANA) fez um pagamento em dinheiro para regularizar o Chevrolet Corsa 96/97 de Edson Lara Nóvoa.

O pagamento faz parte de uma série de favores que Vieira teria prestado a Rose em troca de reuniões com autoridades e indicações para cargos no governo. Nesse domingo, 2, o Estado revelou que o carro de Rose pertencia ao grupo.

Rose pediu o favor em 19 janeiro de 2009. Vieira entrou em contato por e-mail com a funcionária de um serviço de despachantes, com os dados do carro de Edson.

Segundo uma mensagem interceptada pela PF, a dívida para o licenciamento referente ao ano de 2008 era de R$ 2.335,36.

"O meu irmão Marcelo irá levar o dinheiro para você amanhã. Vamos fazer o pagamento à vista", escreveu Vieira à funcionária. Marcelo seria o responsável pelos pagamentos feitos pelo grupo.

Em 29 de janeiro, Vieira informou que o documento do carro estava pronto e se ofereceu para enviá-lo à casa de Edson. Rose sugeriu que o documento fosse entregue a ela dentro do gabinete da Presidência em São Paulo, mas o relatório da PF não informa se isso ocorreu.

"Bjokas e obrigada vc é meu irmão... conte comigo sempre que precisar!", escreveu Rose a Paulo, em agradecimento.

Pajero. Como o Estado revelou ontem, os relatórios da Porto Seguro indicam que o Mitsubishi Pajero TR4 de Rose pertenceu à organização de Vieira. E-mails e documentos obtidos pela investigação sugerem que despesas do veículo podem ter sido pagas por ele.

O carro, fabricado em 2010, foi registrado em nome de Patricia Baptistella, funcionária da faculdade que pertence à família do ex-diretor da ANA. Em 2 de maio de 2011, Rose cobrou de Vieira a transferência do veículo para seu nome, e a quitação de despesas como seguro e licenciamento.

"Vc renovou o seguro? Quando pretende passar o carro para o meu nome?", perguntou Rose.

Um ano antes, em abril de 2010, o veículo levou uma multa de rodízio a 20 metros da casa de Rose, na Bela Vista. Patricia, em cujo nome o Pajero estava registrado, mora em Cruzeiro (SP).

Em 26 de abril de 2012, os investigadores checaram o registro do veículo no Infoseg, sistema integrado de informações de segurança pública. O Pajero está em nome de Rosemary Noronha. O relatório não diz quando ocorreu a transferência e não há, nos e-mails interceptados pela PF, menções a pagamentos ou compra e venda do Pajero.

 

Troca de favores

- Veículo

O carro de Rosemary, um Mitsubishi Pajero TR4 que hoje vale em torno de R$ 55 mil, pertencia à quadrilha de Paulo Vieira. O veículo estava no nome de Patrícia Baptistella, funcionária da Facic, da família de Vieira. Há indícios de que as despesas do veículo também eram pagas por Vieira

 

- Emprego e diplomas

Rose conseguiu um diploma para José Cláudio de Noronha (ex-marido) e negociou empregos para Luis Ismael de Noronha, Marcelo de Lara Peixoto (primo) e Mirelle Nóvoa de Noronha (filha)

 

- Cruzeiro

A ex-assessora ganhou passagens para um cruzeiro temático da dupla Bruno e Marrone. O preço da cabine dupla no navio era de R$ 2,5 mil

 

- Atestado

Rose também pediu para Paulo Vieira um atestado de capacidade técnica para a New Talent com timbre da Facic, faculdade que é da família de Vieira

 

- Carnaval

Em 2011, ela também pediu a Vieira camarotes do carnaval do Rio de Janeiro para a filha Mirelle

 

- Cirurgia

Paulo Vieira teria pago para Rose uma cirurgia no ouvido no valor de R$ 7.500

 

- Assessoria jurídica

Rose negociou apoio jurídico para o divórcio de João Batista de Oliveira, seu atual marido, com o escritório de advocacia Martorelli

 

- Móveis

Em um dos e-mails, Rose diz a Paulo Vieira que pagou R$ 5 mil nos móveis comprados para o apartamento da filha e cobra dele o valor

 

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