Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa é preso de novo pela PF

Justiça Federal vê risco de fuga para o exterior; na Suíça, contas com US$ 23 mi atribuídas ao ex-dirigente da estatal são bloqueadas

Antonio Pita, Clarissa Thomé e Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo - última atualização às 21h49

11 de junho de 2014 | 17h15

Rio - O ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa foi novamente preso pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 11, em sua casa, no Rio. A Justiça Federal do Paraná deu a ordem para ele retornar à cadeia por ver risco de fuga para o exterior, após ser informada por autoridades suíças de que Costa teria US$ 23 milhões, bloqueados pela Justiça do país europeu.

O Ministério Público da Suíça comunicou à Justiça brasileira a abertura de processo penal contra Costa naquele país. Lá, foram identificadas 12 contas ligadas ao ex-diretor em cinco instituições financeiras. 

Esses ativos estão em nome de empresas offshore e seriam movimentados por familiares de Costa e por um funcionário do doleiro Alberto Youssef, preso pela Operação Lava Jato acusado de operar um esquema de lavagem de dinheiro. A Suíça bloqueou US$ 28 milhões, dos quais US$ 23 milhões seriam de Costa.

A investigação na Suíça foi aberta em 10 de abril, quando a Unidade Financeira de Inteligência localizou as contas do ex-diretor da Petrobrás, formalmente acusado por “ofensa de lavagem de dinheiro”.

As autoridades de Genebra informaram ao Brasil que, entre 2011 e 2012, Costa teria recebido “propinas para a adjudicação das obras no âmbito da construção das refinarias de Abreu e Lima, nos arredores de Recife (Pernambuco)”.

Segundo a Suíça, o dinheiro nas contas de Costa teria origem ainda em “desvio de fundos públicos no âmbito de outra investigação vinculada à compra pela Petrobrás , em 2006, da refinaria americana Pasadena, sediada no Texas”.

Costa foi dirigente da estatal entre 2004 e 2012. Ele é acusado de intermediar contratos fraudulentos entre fornecedores da Petrobrás e empresas de fachada comandadas por Youssef. O ex-diretor ficou preso por 59 dias, acusado de destruir provas. Ele é réu em processo que apura irregularidades em contratos da Abreu e Lima.

As contas ligadas a Costa na Suíça teriam sido abertas em nome de empresas offshore, mas seriam geridas pelas filhas do ex-diretor, Arianna e Shanni Costa, e pelos genros, Márcio Lewkowicz e Humberto Mesquita.

Ao mandar prender o executivo, o juiz federal Sérgio Moro alegou “perigo real e imediato” de fuga. O executivo omitiu a informação das contas à polícia, bem como a existência de passaporte português, hoje em poder da Justiça. “A mera entrega de passaportes em juízo não previne a fuga, sobretudo quando o acusado é titular de contas secretas milionárias no exterior e ainda considerando os milhares de quilômetros de fronteira terrestre do Brasil com os outros países, sujeitos a um controle de trânsito pouco rigoroso.”

Prisão. Costa deve ser transferido nesta quarta para o Paraná. Ele foi preso por volta das 16h em sua casa, em um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca.

A prisão ocorreu um dia após a decisão do Supremo Tribunal Federal de devolver os processos da Lava Jato para a Justiça Federal no Paraná relativos a réus que não têm o chamado foro privilegiado. Isso ocorreu após análise do envolvimento do deputado André Vargas (sem partido-PR) nas denúncias. Ele deixou o PT após virem a público informações sobre sua relação com Youssef.

Essa análise havia sido solicitada pelo ministro Teori Zavascki, que assinou habeas corpus para Costa responder ao processo em liberdade - ele foi liberado em 19 de maio. Outros 11 acusados, entre eles Youssef, permaneceram presos.

O advogado de Costa, Nélio Machado, informou que vai recorrer da nova prisão. Ele negou a existência de contas do cliente no exterior . “Essa prisão é uma precipitação, uma medida quase de justiçamento em detrimento das regras inerentes ao processo legal.”

Na terça, Costa afirmou à CPI do Senado “não saber de onde inventaram a história” de corrupção na estatal. Admitiu conhecer Youssef, mas disse não saber que ele atuava como doleiro. A investigação da PF, porém, indicou que os dois possuíam diferentes empresas de fachada no mesmo endereço, em São Paulo.

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