Ex-diretor da Petrobras diz que não informou senha

Investigação descobriu que documentos sigilosos foram vazados por meio de senhas de Jorge Zelada

RICARDO BRITO, Estadão Conteúdo

06 de agosto de 2014 | 18h05

O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Jorge Zelada afirmou nesta quarta-feira que não passou senhas internas da estatal para executivos da empresa holandesa SBM Offshore. Uma investigação interna da companhia descobriu que dois documentos sigilosos - o plano diretor de desenvolvimento integrado do pré-sal na Bacia de Santos e a contratação de uma empresa concorrente da SBM - foram vazados a partir de senhas pessoais de Zelada.

"A minha senha é de uso pessoal e reafirmo que não passei a minha senha para ninguém", afirmou Zelada, em depoimento à CPI mista da Petrobras. "Não acredito que alguém tenha usado a minha senha", completou ele, em resposta a questionamentos do líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR).

O ex-diretor afirmou que tinha por hábito ler e imprimir centenas de documentos internos em razão das reuniões de Diretoria Executiva. "O que posso afirmar é que nunca entreguei documento para nenhuma entidade externa", afirmou. Zelada disse ainda que pagou do próprio bolso uma viagem que fez com a família e outro ex-diretor da estatal Renato Duque a vinícolas argentinas. O jornal O Estado de S. Paulo apontou no final de junho que uma empresa de Julio Faerman, suspeito de pagar propinas para obter contratos de locação para a SBM na Petrobras, convidou dirigentes da estatal e familiares para a viagem.

A reportagem se baseou em mensagens eletrônicas enviadas por pessoas ligadas a Faerman aos dois então diretores da estatal, em 2011. "Foi uma viagem de férias normal que foi paga por mim", afirmou Zelada. Segundo o ex-diretor, ele gosta de fazer viagens desse tipo, e já havia feito roteiro semelhante dois anos antes ao Chile também em companhia de Renato Duque.

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