Ex-diretor da Petrobrás deu aditivos de R$ 200 milhões a empresas

Atas de Abreu e Lima indicam ação de Paulo Roberto Costa que beneficiou empresas investigadas pela PF

Ricardo Brandt e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2014 | 02h01

Sob o comando do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, o Conselho de Administração da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, aprovou R$ 201 milhões em oito aditivos contratuais para empresas investigadas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato.

O conselho ainda autorizou duas antecipações de pagamento, uma de R$ 200 milhões para o Consórcio CII Ipojuca Interligações (Queiroz Galvão e Iesa Óleo e Gás) e outra de R$ 4 milhões ao governo de Pernambuco.

Costa e o doleiro Alberto Youssef são réus na Justiça Federal do Paraná por montarem uma organização criminosa, com outras oito pessoas, para desviar recursos da Petrobrás, entre 2009 e 2014. Corrompendo agentes públicos e contando com a participação de políticos, o esquema abasteceu uma lavanderia de dinheiro que movimentou até R$ 10 bilhões, segundo a Polícia Federal.

Com base em 70 atas do Conselho de Administração da Abreu e Lima da época em que Costa foi o presidente, o Estado obteve as digitais do ex-diretor da estatal nas obras da refinaria, que foi a que mais recebeu recursos da Petrobrás no período.

Iniciada em 2008, quando Costa assumiu a presidência do conselho, a obra tinha custo inicial estimado em R$ 2 bilhões; hoje, já consumiu mais de R$ 20 bilhões, sem ter sido concluída. O Tribunal de Contas da União contabilizou superfaturamento em duas frentes de apuração: obras de terraplanagem (R$ 70 milhões) e cláusulas contratuais de reajuste (R$ 367 milhões).

Autorização. O levantamento revela que Costa tinha amplos poderes para autorizar contratos (foram R$ 3 bilhões em novos serviços com as empresas investigadas na Lava Jato), empréstimos (R$ 10 bilhões do BNDES), negociar aumento de valores contratuais (R$ 201 mi), nomear diretores e estabelecer rendimentos da diretoria (R$ 4 milhões para 2010).

As atas foram anexadas ao processo da Lava Jato a pedido do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo caso. São, ao todo, 123 atas, 70 tendo Costa como presidente, entre março de 2008 e janeiro de 2012. "Costa persistiu recebendo e lavando valores dos desvios mesmo após deixar o cargo de diretor da Petrobrás", afirma o juiz.

Os cargos de diretor e de presidente do conselho foram fundamentais, segundo Moro, para desvios na Petrobrás que envolveram Costa, Youssef, empreiteiras e políticos.

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás firmou um acordo de delação premiada com a Justiça pelo qual conta o que sabe em troca de redução de futuras penas. Numa série de depoimentos prestados nas últimas semanas, Costa citou como beneficiários de desvios de dinheiro de contratos da estatal dezenas de parlamentares da base do governo, além de ex-governadores e um ministro, o de Minas e Energia, Edison Lobão. Todos negam envolvimento com o esquema.

Tudo o que sabemos sobre:
Operação Lava Jato

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.