Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Ex-diretor da Câmara diz que Cunha o demitiu para 'dar exemplo'

Luiz Antonio Souza da Eira relatou a investigadores da Lava Jato versão diferente da apresentada pelo presidente da Casa para sua saída do cargo

Beatriz Bulla, Daiene Cardoso e Talita Fernandes, O Estado de S. Paulo

08 de maio de 2015 | 19h04

Brasília - O ex-diretor da área de informática da Câmara dos Deputados Luiz Antonio Souza da Eira relatou a investigadores da Lava Jato que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o demitiu para dar "exemplo" aos demais servidores da Casa de que vazamentos de informações não são aceitáveis.

Eira narra que o diretor-geral da Câmara, Sérgio Sampaio, o demitiu a pedido de Cunha, na noite no dia 27. Ao ordenar a demissão, o presidente da Câmara já tinha informações, segundo relato do ex-diretor, de que órgãos da imprensa divulgariam no dia seguinte informações sobre autoria de requerimentos investigados na Lava Jato. No dia 28, o jornal Folha de S. Paulo revelou que Cunha aparecia como autor dos requerimentos, alvos do inquérito no qual o deputado é investigado perante o Supremo Tribunal Federal.


O diretor-geral da Câmara disse, no momento da demissão, segundo Eira, que Cunha acreditava que ele não tinha sido o responsável pelo vazamento, mas "serviria de exemplo para os demais". O funcionário afirmou aos investigadores que, na visão de Cunha, o vazamento era uma "retaliação" por parte dos técnicos de informática por ter determinado cumprimento integral de carga horária na semana anterior. 

O depoimento do ex-diretor motivou o mandado de requisição de documentos realizado no início da semana na Câmara dos Deputados, conforme revelou o Estadão. Na visão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, as informações prestadas por Eira "reforçam as suspeitas de que os arquivos foram de autoria" de Cunha. 

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, informou que a demissão se deu em razão de problemas no cumprimento da carga horária de trabalho. "Eu o demiti por não exercer a função de exigir a carga horária dos funcionários do setor dele. Essa é a razão, o resto é história", afirmou o deputado. Ele acusa ainda o ex-servidor de ter vazado documento e de ter agido movido por raiva.

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