Ex-deputado do PP estuda firmar acordo de delação premiada

Preso na Lava Jato, Pedro Corrêa diz ter informações sobre a indicação de Paulo Roberto Costa por Lula

Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2015 | 02h01

BRASÍLIA - O ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE), condenado no mensalão e réu na Operação Lava Jato, estuda fazer acordo de delação premiada com o Ministério Público para contar o que chama de "raiz" do esquema de corrupção na Petrobrás. Conforme pessoas próximas à investigação, Corrêa pretende falar sobre o acerto, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para a nomeação de Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da estatal.

Preso no Paraná pela Lava Jato - antes, ele cumpria pena do mensalão em Pernambuco -, Corrêa relatou a interlocutores ter participado de encontro que antecedeu a indicação de Costa com Lula, o ex-presidente da Petrobrás José Eduardo Dutra e os ex-deputados do PP Pedro Henry e José Janene, morto em 2010. Nomeado em 2004, Costa chefiou a área de Abastecimento até 2012. No ano passado, foi preso na Lava Jato e, meses depois, após firmar acordo de delação, revelou a participação de partidos e políticos no esquema de corrupção. Atualmente, Costa cumpre prisão domiciliar no Rio.

A intenção do ex-deputado é negociar um acordo diretamente com a Procuradoria-Geral da República em Brasília, a exemplo do que fez o dono da UTC, Ricardo Pessoa. O motivo é que, entre os citados na futura delação estariam um deputado e um senador do PP, autoridades com prerrogativa de foro, além de ex-parlamentares do partido.

Delatores. Corrêa foi citado por Costa e pelo doleiro Alberto Youssef, também delator da Lava Jato, como recebedor de R$ 5 milhões do esquema de corrupção e propina na estatal.

Se fechar o acordo, Corrêa será o primeiro político investigado na Lava Jato a fazer delação. O advogado do ex-deputado, Michel Saliba, não descarta que o político colabore - Corrêa estaria sendo pressionado por familiares a contar o que sabe à Justiça. Saliba informou, porém, que deixará o caso se a delação se concretizar uma "questão de ética", já que advoga para outros parlamentares do PP investigados na Lava Jato, como o ex-deputado João Pizzolatti.

Amigos do ex-deputado afirmam que a pressão da família e o sentimento de "abandono" por parte de colegas do partido e do PT têm sido constantes fontes de reclamações de Corrêa na prisão. Filha de Corrêa, a ex-deputada Aline Corrêa (PP-PE) também é ré na Lava Jato.

Procuradores disseram, reservadamente, que ainda não foram procurados pela defesa de Corrêa. A assessoria do Instituto Lula afirmou que não comenta "especulações". Lula não é investigado na Operação Lava Jato. José Eduardo Dutra não atendeu às ligações da reportagem. Pedro Henry não foi localizado ontem pelo Estado.

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