Ex-deputado ameaça "contar a verdade" sobre reeleição

Contornada a ameaça de instalação de uma CPIpara investigar denúncias de corrupção em órgãos do governo, o caso da compra de votos para aprovar a emenda da reeleição,em 1997, pode voltar à tona com elementos novos.O ex-deputado Ronivon Santiago (ex-PFL), pivô do escândalo, vai depor nesta quarta-feirana Polícia Federal, no Acre, e ameaça ?contar a verdade? sobre a negociação para votar a emenda constitucional, até hoje nãoesclarecida.O ex-deputado, que vive atualmente em Rio Branco, capital do Acre, tem confidenciado a amigos que vai revelar à PF todos osdetalhes da negociação para ele votar a favor da emenda da reeleição, além dos motivos que o levaram a renunciar ao mandato.Ronivon tem afirmado que o acordo para renunciar ao mandato teria envolvido advogados, um ex-governador e dois governadores.?Vou passar toda a história a limpo?, disse recentemente o ex-deputado a um amigo.Além de Ronivon, a PF ouvirá esta semana outros três acusados de participação no escândalo ? o governador do Amazonas,Amazonino Mendes (PFL), o ex-governador do Acre, Orleir Cameli (sem partido), e o irmão dele, o empresário Eládio MessiasCameli.Os depoimentos estão marcados para esta quarta-feira, em Manaus (AM). Mendes será ouvido no Palácio Rio Negro, enquantoOrleir e Eládio deverão ser interrogados na Superintendência da PF no Amazonas.A PF já interrogou os ex-deputados Osmir Lima (PFL) e Chicão Brígido (PMDB) ? hoje vereador em Rio Branco ?, acusadosjuntamente com Ronivon e o ex-deputado João Maia (ex-PFL) de receberem R$ 200 mil, cada um, para aprovar a emenda.Maiaainda não depôs porque está hospitalizado em Brasília, fazendo tratamento de tireóide.A susposta negociata foi revelada, em1997, em fitas gravadas por um certo ?Senhor X?. O procurador da República Marcus Vinicius Aguiar Macedo, que pediu em janeiro a reabertura do caso, suspeita de que o empresárioNaciso Mendes de Assis seja o ?Senhor X?, que gravou conversas com Santiago e Maia.As conversas poderiam sugerir esquema de comprade votos. O empresário nega ter participado da gravação das conversas.Nos diálogos gravados pelo ?Senhor X?, os ex-deputados Ronivon Santiado e João Maia apontam Amazonino,Cameli e o então ministro das Comunicações já falecido, Sérgio Motta, como supostos intermediários da operação.Eládio écitado ainda como o responsável pelos pagamentos aos ex-deputados. Ele teria usado cheques da empresa Marmud Cameli, dafamília do ex-governador do Acre.A nova investigação da suposta compra de votos é presidida pelo delegado Daniel Santos, de Marabá (PA), que vai intimar adepor o empresário Narciso Mendes e a deputada Zila Bezerra (PFL-AC).No caso da deputada, o depoimento deverá seracompanhado por um ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), uma vez que Zila tem foro privilegiado por ser parlamentar.O Ministério Público pedirá a instauração de ação penal contra os acusados, caso fique comprovado no inquérito a participaçãodeles na negociação da suposta compra de votos em favor da emenda da reeleição.

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