Ex-deputada diz conhecer Costa e Youssef, mas nega envolvimento na Lava Jato

Aline Corrêa foi citada pelo doleiro Alberto Youssef, que afirmou ter repassado R$ 150 mil para a parlamentar

Nivaldo Souza, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2015 | 20h57

BRASÍLIA - Integrante da lista de políticos que serão investigados por envolvimento na Operação Lava Jato, a ex-deputada Aline Corrêa (PP-SP) disse ao Broadcast, momentos antes da confirmação de sua indicação pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estava "tranquila". 


"Eu conheço meu comportamento, sei qual foi minha atividade política nesses oito anos que eu exerci (mandato de deputada federal de 2007 a 2014) e estou muito tranquila e confiante de que eu não tenho nada a esconder nem dos meus eleitores nem da vida minha pública, que é transparente", disse.


Após a conformação da instauração de diligência pelo STF, o Broadcast não conseguiu novo contato com a ex-deputado. A Polícia Federal revelou, durante a investigação, que a ex-deputada foi citada em um e-mail do doleiro Alberto Yousseff no qual ele orientava as empresas Queiroz Galvão e Jaraguá Equipamentos a doar, em 2010, um total de R$ 150 mil para a campanha de Aline.


Aline Corrêa é filha do ex-deputado e ex-presidente do PP, Pedro Corrêa, preso após ter sido condenado por envolvimento no mensalão. O ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, disse em delação premiada que repassou R$ 5,3 milhões em uma única remessa a Corrêa, em 2010.


Ao ser questionada sobre seu relacionamento com Costa e o doleiro Alberto Youssef, Aline afirmou que conheceu os dois, mas que não recebeu recursos repassados por eles para financiar suas campanhas.


"O senhor Paulo Roberto eu conheci em eventos do partido (PP), em um evento ou dois, mas não tinha nenhum relacionamento com ele", disse. "Conheci (Youssef). Ele era muito ligado ao José Janene (ex-deputado), que era o tesoureiro do partido", afirmou.


A ex-deputada reconheceu que recebeu recursos de empresas envolvidas na Lava Jato, mas afirmou que o dinheiro foi depositado nas contas oficiais de sua campanha. "Recebi recurso oficial na minha conta. Já tinha conhecimento com empresas de alguns até citados, algumas até de Pernambucos, do Estado de São Paulo, mas o que acredito é que tenho todas as condições de me defender e provar que não tenho nenhum envolvimento com isso (corrupção)", considerou.


A ex-deputada se disse disposta a prestar esclarecimento caso seja realmente incluída na lista. "Estou à disposição da Justiça. Na hora que eu, se for citada, vou me defender. Não tenho dúvida de que vou comprovar minha inocência. Não tenho nenhum envolvimento com nenhum escândalo e estou muito tranquila", afirmou. 

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