Ex-coordenador da dívida pública depõe amanhã

A CPI da Dívida Pública Municipal da Câmara Municipal de São Paulo, ouve amanhã, às 13h, o depoimento de uma peça-chave do esquema de emissão de Letras Financeiras do Tesouro do Município (LFTM). O ex-coordenador da Dívida Pública da Prefeitura, Wagner Baptista Ramos, terá de explicar os motivos que levaram o governo do ex-prefeito Paulo Maluf a emitir o total de R$ 6 bilhões (valores de março/2000) em LFTM´s e não utilizá-lo para seus devidos fins: o pagamento de precatórios. A CPI dos Precatórios, instalada pelo Senado da República em 1997, apurou que cerca de 80% dos valores obtidos com a emissão de letras foram utilizados para outros projetos, contrariando as normas constitucionais.A suspeita, segundo os vereadores, é de que o dinheiro tenha sido utilizado para a quitação de obras supostamente superfaturadas, como o Túnel Ayrton Senna, que tinha garantida no orçamento a quantia de R$ 228 milhões, mas rendeu às empreiteiras nada menos do que R$ 795 milhões.Entre 1994 e 1996, Maluf destinou R$ 5,7 bilhões para obras deste tipo, mas nega a suposição. A CPI do Senado, segundo a assessoria da CPI da Câmara paulistana, ainda mapeou 22 operações atípicas nas quais a Prefeitura paulistana, através do Fundo de Liquidez, administrado pelo Banespa e depois pelo Banco do Brasil, autorizou negociações que se constituíram na chamada "Cadeia da Felicidade", trazendo prejuízo à cidade e benefício a diversas agências financeiras e a um banco.

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