Ex-comandante critica invasão de ONGs na Amazônia

General da reserva Luiz Gonzaga Lessa é aplaudido de pé, em evento com 700 pessoas em São Paulo

Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2008 | 00h00

Diante de quase 700 pessoas, reunidas no Clube Esperia, em São Paulo, o general da reserva Luiz Gonzaga Lessa, ex-comandante militar da Amazônia, disse ontem que aumentam a cada ano as pressões pela internacionalização da Amazônia e alertou que "a invasão branca" da região já começou, por meio das ações de organizações não-governamentais (ONGs). Ele afirmou que as terras indígenas na fronteira norte do País constituem a ponta de lança para que a região seja desmembrada do País, ou, conforme sua expressão, "são o germe da secessão". E explicou: "Hoje elas pertencem ao Estado brasileiro, mas há uma trama internacional para que se tornem nações indígenas e depois deixem de ser propriedade do Estado."O general concluiu dizendo, em referência aos vazios demográficos da Amazônia, que "a marcha para o Oeste e o Norte é o desafio da nova geração". Foi aplaudido em pé. O encontro foi organizado pelo Fórum Permanente em Defesa do Empreendedor, que abriga quase cem entidades, como Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), Federação das Indústrias (Fiesp) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A proposta inicial era um debate em torno do tema A Realidade da Amazônia - Soberania Ameaçada, Farsa ou Realidade?. Desde os primeiros instantes, porém, o encontro caracterizou-se como uma espécie de ato em defesa da soberania e contra a demarcação da terra indígena em Roraima, que está sendo analisada no Supremo Tribunal Federal (STF).O próprio apresentador da cerimônia observou, na abertura, após a execução do Hino Nacional: "Mais do que um painel, nosso encontro está se convertendo num ato de civismo." Também falaram durante o encontro o deputado Aldo Rebelo (PC do B), o professor de filosofia Denis Lerrer Rosenfield e o índio macuxi Jonas de Souza Marcolino. Os três chamaram a atenção para a questão da soberania.Marcolino, que é formado em pedagogia e vive na Raposa Serra do Sol, se opõe à demarcação em terra contínua - com o afastamento dos não-indígenas. Ontem ele acusou as ONGs internacionais de "usar os índios como massa de manobra, colocando-os contra os brasileiros, destruindo os valores patrióticos".Na platéia encontrava-se o prefeito de Pacaraima, João Paulo César Quartiero. Dono de fazendas de arroz no interior da área reivindicada pelos índios, ele organizou em abril um movimento de resistência à ação da Polícia Federal na região. Apresentado como "brasileiro que sofreu os efeitos da intolerância e dos interesses escusos", o arrozeiro teve direito à palavra e foi aplaudido.

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