Ex-chefe da Abin critica indicação de Lacerda

Márcio Buzanelli se diz frustrado com substituição e defende nome técnico

Marcelo de Moraes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2031 | 00h00

Substituído na direção-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Márcio Buzanelli reconheceu que foi surpreendido pela decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de entregar seu cargo ao atual diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda. O diretor da Abin se confessou "frustrado" por não poder completar seu projeto para a agência, mas garantiu que sai do posto "sem ressentimentos". Mesmo assim, disse acreditar que o melhor perfil para comandar a Abin é o de um técnico especializado na área de inteligência, como ele próprio."Eu não seria verdadeiro se não dissesse exatamente isso. Estaria, inclusive, me negando a possibilidade de exercer o cargo. Entendo que para a chefia o ideal seria um oficial de inteligência. O governo tem outra visão. Esse perfil talvez não seja agora o mais adequado aos desígnios do governo", afirmou em entrevista ao Estado.Buzanelli avalia que Lula pretende aumentar a cooperação entre Abin e Polícia Federal. "O presidente certamente tem uma proposta para segurança pública e de Estado de integração maior entre Abin e Polícia Federal, favorecendo a integração entre os serviços de inteligência", observou.Lacerda confirmou ontem essa idéia. O diretor da PF disse que sua principal meta na Abin é aproximá-la da PF, "pondo fim a uma falta de sintonia inexplicável entre órgãos de inteligência do governo". Lacerda disse também que primeiro "vai conhecer bem a agência e a seguir implementar mudanças nos seus métodos e na sua estrutura"."OUTRA PROPOSTA"Em conversa com Lula na quarta-feira, no Palácio do Planalto, Buzanelli disse que o presidente lhe explicou ter "outra proposta" para a área de segurança. O diretor da Abin garantiu a Lula que a corporação receberia bem o seu substituto. A chegada de Lacerda pode provocar ampla reformulação na agência. Para interlocutores, o diretor da PF sempre avaliava que tudo estava errado na Abin. Se essa posição se confirmar, Lacerda precisará enfrentar o desgaste interno de substituir diretores. Buzanelli disse que, para evitar a quebra de continuidade, pediu a todos que se mantenham nos cargos."Estabeleci um comitê de transferência de poder e já foi feita a ponte com o futuro diretor para organizar essa parte de transição." Para o diretor da Abin, as mudanças não interromperão o processo de avanço no sistema de inteligência. "Não dá para ter retrocesso. A Abin não é o SNI."Oficialmente, Buzanelli cumpre hoje o último dia de serviço e deixa a função no domingo.

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