Ex-bispo pagou dívidas de campanha, diz defesa

Segundo advogado de Carlos Rodrigues, ele fez contratações por conta própria após falar com Valdermar Costa Neto

Eduardo Bresciani, de O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2012 | 20h53

A defesa do ex-deputado federal Carlos Rodrigues, ex-bispo, afirmou nesta segunda-feira, 13, que os recursos recebidos por ele por meio do valerioduto foram usados para pagar dívidas de campanha referentes ao apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. Integrante do PL (atual PR), ele recebeu R$ 150 mil do esquema em dezembro de 2003 tendo usado como intermediário um motorista de outro parlamentar.

"O valor foi exclusivamente para dívidas de campanha contraídas no segundo turno das eleições presidenciais de 2002", afirmou o advogado Bruno Alves Pereira de Mascarenhas Braga. Ele destacou que Rodrigues tinha apoiado Anthony Garotinho e somente no segundo turno engajou-se na campanha de Lula.

Disse que o ex-deputado não recebeu nenhum material do PT para auxiliar na campanha, então fez contratações por conta própria após falar com o então presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, que prometeu que as dívidas seriam saldadas depois da eleição.

A defesa recorreu a depoimentos de líderes comunitários dizendo ter demorado mais de um ano para receber dinheiro relativo à campanha de 2002. Disse ainda que os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro porque os contratados tinham origem humilde e não teriam conta bancária. "Esses cabos eleitorais eram pessoas humildes, não tinham nem conta, não tinha como pagar com transferência bancária ou cartão, por isso pagou em espécie, em dinheiro".

O advogado afirmou ainda que não há registro de nenhuma votação importante na Câmara em dias próximos ao saque feito para Rodrigues. Com isso, afirma não ter qualquer relação entre o recebimento do dinheiro e o apoio ao governo. Enfatizou que o PL era o partido do vice-presidente José Alencar e, portanto, teria "compromisso político" de apoiar o governo.

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