Reprodução/Facebook
Reprodução/Facebook

Ex-assessora de Marielle, deputada do PSOL recebe ameaça de morte e registra ocorrência

No Facebook, usuário disse que Renata Souza 'vai perder a linguinha' e que a ex-vereadora morreu por falar demais

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2020 | 12h53

RIO –  A deputada estadual Renata Souza (PSOL), candidata à prefeitura do Rio na última eleição, registrou ocorrência na manhã desta segunda-feira, 21, após receber ameaças nas redes sociais. No Facebook, um usuário comentou que ela “falava demais” e que iria “perder a linguinha” por causa disso. Também disse que a vereadora Marielle Franco, de quem Renata foi chefe de gabinete, teria morrido pelo mesmo motivo. 

A parlamentar – que, assim como Marielle, é criada no Complexo da Maré – foi à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática fazer o registro do caso. Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa (Alerj), Renata é mais uma mulher negra a sofrer ameaças de morte nas redes sociais. No Estado, o mesmo já ocorreu com a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), que precisou se mudar do Rio.

Após as últimas eleições municipais, houve outros relatos parecidos País afora. Como mostrou o Estadão, investigações apontam para uma ação coordenada voltada para ameaças de cunho racista, machista e homofóbico. Para apurar esses relatos, pelos menos três Estados e órgãos internacionais, como a Interpol, trabalham de modo integrado.

Ao Estadão, Renata diz que o nível de ódio político embutido no comentário fez com que ela não pudesse deixar de ir à delegacia. “Há uma onda de violência política contra mulheres, especialmente mulheres negras”, aponta. “Por causa da minha atuação na Comissão de Direitos Humanos, que é em defesa da vida, isso sempre resulta em ataques contra mim nas redes sociais por parte dos que fazem uma política de morte.”

No boletim de ocorrência desta segunda, Renata elenca ainda outras ameaças recebidas durante o ano nas redes sociais. Em abril, por exemplo, espalharam em grupos de WhatsApp a foto e o endereço residencial dela alegando que a parlamentar seria a responsável por organizar atos contrários ao governo federal.

“Espero que as forças policiais investiguem esses criminosos. Já mataram Marielle, não posso subestimar qualquer ameaça e espero que nenhuma instituição democrática a subestime. Não vão nos calar”, disse, em nota, a deputada. “Em plena democracia, não é possível que uma parlamentar tenha as suas atividades cerceadas e intimidadas.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.