Ex-assessor visita Renan e diz que senador está 'muito bem'

Francisco Escórcio está envolvido em denúncia de espionagem, o quinto processo contra Renan

Celso Júnior, da Agência Estado,

16 de outubro de 2007 | 11h06

O ex-assessor da Presidência do Senado Francisco Escórcio esteve na manhã desta terça-feira, 16, na residência oficial do Senado visitando o presidente licenciado da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). À saída, por volta das 11 horas, o ex-assessor se limitou a dizer que Calheiros está "muito bem". Escórcio é acusado de ter espionado em Goiás - supostamente por ordem de Renan - os senadores Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB), integrantes do Conselho de Ética.   Veja também: Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  PMDB deflagra corrida para sucessão no Senado 'Nova denúncia contra Renan justifica sua cassação'  Leitura de requerimento no Senado oficializa licença de Renan   PSOL fará 6ª representação contra Renan na quinta  Mesa do Senado mandará 5º processo contra Renan ao conselho   Por causa disso, o nome do ex-assessor consta da quinta representação encaminhada ao Conselho contra Renan. Escórcio foi inicialmente afastado do cargo pelo presidente licenciado até que se concluíssem as investigações, mas acabou sendo exonerado.   Segundo a denúncia, o objetivo da suposta espionagem era flagrar os parlamentares em alguma atividade ilegal para, depois, chantageá-los em troca de apoio no Conselho de Ética. A representação foi encaminhada pelo PSDB e o DEM na segunda-feira, 15. O Conselho de Ética se reúne nesta terça-feira, 16, às 14 horas, para definir os rumos das investigações sobre Renan.   Apesar de Renan ter anunciado licença por 45 dias - e o interino Tião Viana (PT-AC) ter confirmado a decisão em discurso de posse -, o clima no Senado é de sucessão. Nos bastidores, o PMDB não admite perder o cargo. "Não estamos discutindo sucessão agora, mas acho difícil a bancada do PMDB abrir mão do cargo", afirmou o líder do partido, senador Valdir Raupp (RO).   Três nomes do partido estão cotados para assumir a presidência do Senado: Garibaldi Alves (RN), Pedro Simon (RS) e José Sarney (AM), o mais forte. "Mas Sarney só aceitaria o cargo se fosse unanimidade no partido e na base governista", diz o senador Gerson Camata (PMDB-ES), ao salientar que, nesse momento, só há consenso em torno de uma coisa: a inconveniência da volta de Renan. "Só a ameaça de Renan voltar já atrapalha o Senado."   História   O presidente do Senado tem quatro processos distintos em tramitação no órgão. O primeiro foi aberto após suspeitas de que um lobista teria pago despesas de Renan Calheiros, como pensão e aluguel da jornalista Mônica Veloso, com que o senador tem uma filha. Renan foi absolvido pelo Senado.   No segundo processo, Renan é acusado de ter intercedido no INSS e na Receita em favor da Schincariol, que tinha multas com os dois órgãos. Neste caso, o senador João Pedro (PT-AM) pediu a suspensão do processo no Conselho de Ética.   Outros dois processos, que ainda não foram julgados pelo Conselho de Ética, envolvem a suspeita de que Renan seria sócio oculto em empresas de comunicação e lobby em ministérios.   Além das cinco representações, Renan pode enfrentar uma sexta. O PSOL deve encaminhar na quinta-feira, 18, novo pedido de investigação. Segundo revelou o Estado no domingo, o senador permitiu o repasse de R$ 280 mil a uma empresa fantasma de um ex-assessor. A verba foi usada na construção de 28 casas em Murici, cidade da família Calheiros.   Na última quinta-feira, 11, Renan anunciou licença da presidência do Senado por 45 dias. Apesar de caracterizar como transitório seu afastamento, o senador sinalizou nesta segunda-feira, 15, que nem ele mesmo acredita no seu retorno ao cargo. Ele e sua mulher, Verônica, iniciaram nesta segunda mesmo os procedimentos para deixar a residência oficial, onde estão vivendo desde que ele foi eleito para a presidência.

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