Ex-assessor de Marcelo Déda é indiciado por estelionato

O ex-presidente da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb) de Aracaju Antônio Sérgio Ferrari foi indiciado, num inquérito policial, por estelionato e duplicata simulada - fria -, além de ser investigado sob suspeita de lavagem de dinheiro. Ferrari era um dos principais auxiliares do prefeito da capital sergipana, Marcelo Déda (PT), e dirigia a empresa responsável por todas as obras públicas na cidade. Segundo a polícia, entre junho e julho de 2004, o ex-presidente da Emurb teria usado quatro notas falsas de serviços da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) para receber, adiantados, R$ 400 mil do Banco do Brasil (BB).Hoje, Ferrari negou, na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Sergipe, que tenha praticado crimes de lavagem de dinheiro, estelionato e emissão de duplicatas frias. O ex-presidente da empresa confirmou que tem uma dívida com o BB, no valor de R$ 400 mil, mas afirmou que não fez lavagem de dinheiro. "Refuto esta acusação de lavagem de dinheiro. Esta informação foi baseada em quê? Vou pedir hoje a abertura de meu sigilo bancário no banco para provar que a lavagem de dinheiro é descabida. Também não existe nota fiscal fria. O que é fato é que minha empresa tem um débito não quitado com o Banco do Brasil."A instituição financeira entrou com uma ação criminal no Ministério Público (MP), alegando que, entre junho e julho de 2004, o ex-presidente da estatal, sócio majoritário da empresa Cenários, passou quatro notas falsificadas da CVRD como forma de assegurar a quitação da dívida da companhia com o banco. Ferrari queixou-se do tratamento dado ao caso. Mesmo sem afirmar que o vazamento das informações e do depoimento tem conotação política, ele disse que o caso só chegou a público porque ele trabalhou na prefeitura. "Existe um problema da Cenários, minha empresa, com o Banco do Brasil, mas a imprensa só fala do presidente da Emurb. Não vou fazer o que fizeram comigo e não vou acusar de perseguição política sem ter provas. Mas imaginei que o processo fosse correr em sigilo e que meu depoimento não saísse na imprensa", reclamou.Sobre o afastamento do cargo de presidente da Emurb, Ferrari alegou que comunicou a decisão a Déda na última sexta-feira. "Falei com o prefeito de manhã e, no fim da tarde, fui procurá-lo, com a minha carta de afastamento. Seria uma burrice eu ficar no cargo, seria como sangrar todos os dias. Não tem nada que macule a administração de Marcelo Déda nos últimos cinco anos e eu não poderia manchá-la com um problema pessoal." Ele disse que o prefeito sabia das dificuldades financeiras da empresa dele. "Quando informei o motivo, ele entendeu a minha saída." Outro motivo que Ferrari citou para se afastar da estatal foi ter mais tempo para responder ao inquérito e à investigação de lavagem de dinheiro. "Resolvi sair para não misturar uma questão pessoal com a prefeitura. Vou ter mais tempo para reunir a documentação necessária para debater a questão em juízo e provar a minha inocência. Quanto mais documentos tiver, melhor para mim", afirmou.Ferrari assumiu a presidência da Emurb em 2001, quando se afastou da gerência da Cenários. O ex-presidente, no entanto, permaneceu como sócio-majoritário da empresa, que presta serviços, desde 1993, nas áreas de consultoria em ventilação de minas e em pintura e manutenção industrial. Entre os clientes da Cenários, figuraram empresas como a CVRD, Odebrecht e Petrobras.

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