Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro falta a depoimento pela 2ª vez

Alegando novamente motivos de saúde, Fabrício Queiroz não comparece a oitiva para explicar movimentações financeiras atípicas em sua conta; MPRJ sugere que filho do presidente eleito preste esclarecimentos sobre o caso

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2018 | 16h11
Atualizado 21 de dezembro de 2018 | 18h55

RIO - O ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL), Fabrício Queiroz, faltou pela segunda vez ao depoimento que iria prestar no Ministério Público do Rio (MPRJ), nesta sexta-feira, 21. A defesa de Queiroz alegou novamente motivos de saúde para não aparecer na oitiva marcada para esclarecer movimentações atípicas em sua conta, apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O MPRJ informou que também pedirá para que Flávio Bolsonaro preste esclarecimentos sobre o caso, no dia 10 de janeiro. Queiroz já havia faltado na oitiva do dia 19.

"Dando prosseguimento às investigações será enviado ofício ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) sugerindo o comparecimento do deputado estadual Flávio Nantes Bolsonaro, no dia 10/01, para que preste esclarecimentos acerca dos fatos", informou, por nota, o MPRJ.

De acordo com o MPRJ, o advogado de Queiroz informou que seu cliente “precisou ser internado na data de hoje, para realização de um procedimento invasivo com anestesia, o que será devidamente comprovado, posteriormente, através dos respectivos laudos médicos”. A defesa se comprometeu a apresentar os referidos laudos até o próximo  dia 28.  

Segundo o órgão, outras diligências da investigação serão realizadas, incluindo a oitiva dos familiares de Queiroz, no dia 8 de janeiro, e dos assessores da Alerj de Flávio Bolsonaro, em data a ser designada.

O MPRJ também informou que outros parlamentares citados no relatório do COAF procuraram, voluntariamente,  a instituição para manifestar interesse em apresentar seus esclarecimentos.  A investigação, que é sigilosa, está sendo conduzida pelo Grupo de Atribuição Originária em Matéria Criminal (GAOCRIM/MPRJ).

Em nota, a assessoria de Flávio afirma que o deputado “não é investigado e não fez nada de errado” no procedimento do Ministério Público do Rio que analisa movimentações atípicas na conta de seu assessor. A assessoria também declarou que Flávio “estará à disposição das autoridades competentes, por ser o principal interessado na elucidação dos fatos”.

Entenda o caso Coaf

O Coaf identificou movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em uma conta no nome de Queiroz, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017 e um repasse de R$ 24 mil para a futura primeira-dama Michelle Bolsonaro – o presidente eleito disse que se tratava do pagamento de uma dívida antiga do policial militar com ele.

As transações atípicas foram reveladas pelo Estado, no último dia 5. Desde a divulgação dos dados, Queiroz não se justificou em público. Ao Estado, o ex-assessor disse que não sabia nada sobre o assunto.

O nome de Queiroz consta na folha de pagamento da Alerj de setembro com salário de R$ 8.517. Ele era lotado com cargo em comissão de Assessor Parlamentar III, símbolo CCDAL- 3, no gabinete de Flávio Bolsonaro. Conforme o relatório do Coaf, ele ainda acumulava rendimentos mensais de R$ 12,6 mil da Polícia Militar. Ele foi exonerado no último dia 15 de outubro.

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