Adriano Machado / Reuters
Adriano Machado / Reuters

Ex-assessor de filho é quem tem de explicar depósitos, diz Bolsonaro

Coaf investiga movimentação financeira que envolve Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz

Renata Agostini, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2018 | 13h56

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmou neste domingo que Fabrício Queiroz, ex-motorista de Flávio Bolsonaro, é quem dará as explicações sobre os depósitos que foram feitos em sua conta. Disse, ainda, que não conversou com o ex-assessor do filho sobre o caso. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentação financeira atípica de R$ 1,2 milhão na conta bancária do ex-motorista de Flávio, como revelou o Estado. Houve depósitos feitos, inclusive, por outros assessores do gabinete.

“Um dos assessores repassou R$ 800 (ao Queiroz). Outro R$ 1.500. Duas passaram valor idêntico, não sei nem o que é isso, R$ 2.300. Os três repasses... Repasses não, os depósitos mais altos foram as filhas e as esposas (que fizeram)”, afirmou Bolsonaro aos jornalistas na porta de sua casa, no Rio.

O Coaf indicou que a conta de Queiroz recebeu diversos depósitos, incompatíveis, a princípio, com sua renda. Um cheque de R$ 24 mil foi emitido por Queiroz para Michelle Bolsonaro, futura primeira-dama.

Ao ser questionado se enxergava com “naturalidade” os depósitos feitos na conta de Queiroz, o futuro presidente disse que o ex-assessor é quem tem as respostas. “Ele tem que explicar. Pode ser e pode não ser”, disse Bolsonaro, sem especificar se estava se referindo a alguma irregularidade específica.

“Das três pessoas que repassaram mais de R$ 4 mil ao longo de um ano, duas eram filhas e uma, esposa. Um repassou R$ 800. Não repassou, botou na conta dele. R$ 800 reais é repasse ao longo de um ano? Pelo amor de Deus”, afirmou aos jornalistas ao retornar de um breve passeio, no qual sacou dinheiro numa agência bancária e parou num quiosque na beira da praia.

Briga. Bolsonaro comentou ainda a disputa entre parlamentares do PSL que se tornou pública nos últimos dias. Segundo ele, trata-se de algo pontual dentro da bancada, que deve ser a segunda maior da Câmara, atrás apenas do PT. “Tem três ou quatro deputados que estão se digladiando. O resto, 90%, sem problemas”, afirmou.

Mensagens de WhatsApp expuseram desavenças entre seu filho, Eduardo Bolsonaro, que foi reeleito deputado federal, o futuro senador Major Olímpio e a deputada eleita Joice Hasselmann.

Bolsonaro afirmou também que deve adiar sua cirurgia, que estava prevista para o dia 19 de janeiro. Isso porque ele pretende comparecer ao Fórum de Davos, que vai ocorrer entre os dias 22 e 25 de janeiro.

Não há ainda nova data definida. Segundo o futuro presidente, o assunto será discutido na próxima quinta-feira com seus médicos em São Paulo. “Vamos estudar uma nova data. Precisamos de um calendário”, disse.

Medidas.

Na avaliação de Bolsonaro, a transição está indo bem e os grupos temáticos que trabalham em Brasília estão tendo independência para atuar. “Política tem novidade a todo instante. A gente tenta apagar fogo”, afirmou, referindo-se às primeiras articulações de seu grupo político em Brasília.

Sobre medidas a serem anunciadas, ele voltou a falar no sistema eleitoral, bandeira levantada por ele durante a campanha. “Não é mudança no sistema eleitoral. Queremos um sistema de votação que possa ser auditado. (Vamos enviar) Um projeto de lei modificando um pouquinho”, afirmou.

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