Ex-assessor de Dirceu, Sereno volta a atuar no PT

Depois de um período de discrição, o ex-assessor da Casa Civil e ex-secretário de Comunicação do PT Marcelo Sereno voltou à ativa, pelo menos nos bastidores do partido. Ele é um dos coordenadores da campanha do presidente da seção da legenda no Rio, Alberto Cantalice, à reeleição - outros sete petistas tentarão conquistar o posto, no processo de eleições diretas marcado para dezembro, pelo qual a agremiação vai renovar as suas direções municipais, estaduais e nacional. Sereno continua filiado ao ex-Campo Majoritário, corrente petista moderada que assumiu um novo nome - Construindo um Novo Brasil -, após a sucessão de escândalos que em 2005 abalou o petismo. Ele mesmo foi um dos acusados inicialmente, mas se livrou de indiciamento. Entre os petistas do Rio, a presença na campanha do ex-assessor é vista como um fator que pode favorecer Cantalice - um petista que, por seu alinhamento com as posições nacionais do ex-Campo Majoritário, ganhou a confiança de seu comando. Sereno tem como munição alguns favores prestados a companheiros de partido nos últimos anos. Antes do cargo no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - que ocupou durante a gestão do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu -, Sereno foi secretário-executivo do governo Benedita da Silva (PT), de abril a dezembro de 2002. A Casa Civil fazia a articulação política, incluindo a intermediação de nomeações para cargos públicos. LIBELU Na sucessão de acusações contra o comando petista e o governo Lula, Sereno, um ex-trotskista do grupo Liberdade e Luta (Libelu), ativo nos anos 70 e 80, teve de depor na CPI dos Bingos para explicar sua suposta influência em fundos de pensão - que negou. Conseguiu se livrar sem processo criminal, diferentemente de Dirceu e outros petistas, que acabaram denunciados e processados no Supremo Tribunal Federal (STF) por formação de quadrilha e outros delitos. O ex-assessor, contudo, foi duramente abalado pelos ataques. Teve de desistir de uma candidatura a deputado federal que preparava e foi levado a retirar o seu nome da chapa de candidatos do Campo Majoritário ao Diretório Estadual do partido, em 2005. Ele também teve de deixar o cargo na Executiva do PT. VALE Sem função pública nem partidária, Sereno voltou à Companhia Vale do Rio Doce, onde é oficialmente empregado, mas, como detentor de mandato no Sindicato dos Trabalhadores em Mineração do Rio de Janeiro (Sindiminas), manteve-se fora do trabalho, licenciado segundo a lei sindical. Na campanha de 2006, transferiu para o então vereador e agora deputado Edson Santos (RJ) apoios e contatos que amealhara quando sonhava com um lugar na Câmara dos Deputados. Também procurou assumir postura discreta, mantendo-se longe de pedidos de entrevista.

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