Ex-assessor de Dilma quer depor sobre dossiê

Lanzetta, desligado no sábado da campanha, diz que falará 'no Congresso ou em praça pública' e dará detalhes de conversa com araponga e delegado

07 de junho de 2010 | 00h50

Pivô do primeiro escândalo da disputa presidencial deste ano, o jornalista e consultor Luiz Lanzetta disse neste sábado, 5, estar à espera de uma convocação para depor sobre encontro que teve com arapongas de Brasília, alguns ex-agentes e servidores da Aeronáutica e da Polícia Federal, especializados em produzir dossiês contra adversários políticos de seus clientes.

 

Lanzetta, que trabalhava para a campanha à Presidência da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, se desligou anteontem do comitê petista, após a divulgação do encontro com os espiões, há um mês e meio.

 

Em entrevista ao Estado, o jornalista adiantou que pretende, ao depor "no Congresso ou em praça pública", dar detalhes da conversa que teve com o ex-agente do serviço secreto da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o "sargento Dadá", e o delegado aposentado Onézimo Souza, no restaurante Fritz, em Brasília, no dia 20 de abril.

 

O encontro foi divulgado pelo Estado no sábado. "Ele (Onézimo) falou da estrutura do esquema de espionagem do Marcelo Itagiba", disse Lanzetta, referindo-se ao deputado do PSDB do Rio, ligado ao presidenciável José Serra. Itagiba também é delegado da Polícia Federal.

 

"Ele falou que Itagiba tinha 100 dossiês contra a base aliada, não era apenas contra o PT."

 

Tucanos. Lanzetta disse que o "outro lado", isto é, o PSDB, é que precisa dar explicações sobre o escândalo. "O problema está do outro lado", reforçou.

 

"Eu falo em qualquer lugar, em praça pública, quero falar, quero que me convoquem. Uso até PowerPoint", completou. O jornalista disse que desafia Onézimo a dar sua versão do encontro. "Está muito claro que há uma armação contra a gente."

 

Durante a entrevista, Lanzetta repetiu diversas vezes que não aceitou a proposta de arapongas para comprar dossiês. Ele disse ter recusado, ainda no restaurante, o serviço oferecido pelos espiões para produzir material contra os adversários da base aliada. "A gente sabe, tem memória", completou.

 

Reportagem publicada pelo Estado no sábado revelou que a proposta para contratação dos serviços dos arapongas foi levada para o núcleo central da campanha petista.

 

Sem defesa. O PT e o comando da campanha de Dilma não saíram em defesa de Lanzetta. O coordenador da campanha, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, e o presidente do PT, José Eduardo Dutra, se limitaram a dizer em entrevistas que qualquer responsabilidade era da empresa do jornalista, a Lanza Comunicação.

 

A estratégia do petistas é isolar o escândalo no jornalista. Ao mesmo tempo, o PT tenta abafar uma disputa interna envolvendo Pimentel e o deputado Antonio Palocci Filho (SP). Pimentel foi o responsável em levar Lanzetta para a campanha.

 

No sábado, 5, o PSDB anunciou que iria pedir a convocação de todos os participantes da reunião para explicar o episódio. O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) disse que iria acionar a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso e também o Ministério Público Federal.

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