Adriano Machado/Reuters
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Ex-aliados de Bolsonaro criticam recriação de ministério e escolha de nome ligado ao Centrão

Entre os críticos à última medida do presidente estão o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, e a deputada estadual em São Paulo, Janaína Paschoal (PSL)

Renato Vasconcelos, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2020 | 10h32

Ex-aliados do presidente Jair Bolsonaro criticaram a recriação do Ministério das Comunicações e a indicação do deputado Fábio Faria (PSD-RN) para encabeçar a pasta. Pelas redes sociais, antigos apoiadores do presidente como Janaína Paschoal (PSL-SP) e o ex-ministro Sérgio Moro, posicionaram-se contra o surgimento de mais um ministério, alegaram que Bolsonaro estaria contrariando promessas de campanha e afirmaram que a escolha de Faria para o cargo seria mais um gesto de aproximação com o Centrão.

O Ministério das Comunicações foi recriado nessa quarta-feira, 10, por ordem do presidente da República, após ser desmembrada do Ministério da Ciência e Tecnologia. Bolsonaro justificou a escolha de Faria para a pasta pela relação com Silvio Santos, dono do SBT, - o novo ministro é casado com a filha do empresário, a apresentadora Patrícia Abravanel - e negou que a nomeação seja fruto de sua aproximação com o Centrão.

"Vamos ter alguém que, ele não é profissional do setor, mas tem conhecimento até pela vida que ele tem junto à família do Silvio Santos. A intenção é essa, é utilizar e botar o ministério pra funcionar nessa área que estamos devendo há muito tempo uma melhor informação”, disse o presidente.

Uma das críticas a Bolsonaro veio da deputada estadual por São Paulo Janaína Paschoal. "Gente, não quero ser injusta com ninguém, não quero fazer juízo prévio. Mas será que Jair Bolsonaro não deu um Google no nome do novo ministro? Não é possível! Foi para isso que eu apoiei esse presidente? Foi para isso que fomos às ruas para derrubar Dilma?", escreveu em seu Twitter.

Janaína também afirmou que o presidente estaria se iludindo com a ideia de que o Centrão vai blindá-lo no Congresso. "Bolsonaro se ilude, pensando que esse pessoal do Centrão vai blindá-lo. Melhor seria ficar fiel aos princípios que defendeu na campanha eleitoral! Dilma chegou a ter mais de 30 Ministérios. Fosse fiel ao que prometeu, estaria muito mais forte. É triste!"

Sem comentar a escolha do nome para comandar a pasta, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro criticou a criação de mais um ministério. O ex-juiz federal chamou o Ministério das Comunicações de "Ministério da Propaganda". "Recriado o Ministério da Propaganda. Quais serão os próximos?", escreveu.

Na mesma tônica de crítica a criação de um novo ministério, o deputado federal Júnior Bozzella (PSL-SP) lembrou a promessa de campanha do presidente de reduzir o número de pastas do Executivo federal, afirmando que o presidente não tem palavra.

"Mais um dos tantos atos que comprovam que Jair Bolsonaro se utilizou de um discurso em campanha. Na prática é o oposto. Recria ministérios e loteia cargos. Nunca foi um reformista. Nem um homem de palavra. Em campanha, prometeu 15 ministérios. Já são 23", escreveu em seu Twitter.

Rompida com o governo e alvo constante de críticas do presidente e de seus filhos, Joice Hasselmann (PSL-SP) também criticou o presidente e a escolha do novo ministro. Em uma série de tuítes, a deputada disse que Bolsonaro estaria aparelhando emissoras de televisão simpáticas ao seu governo.

“Se gritar pega centrão, não fica um meu irmão...”, diz General Heleno. Jair Bolsonaro ntregando as calças pro Centrão. Dps de encher as burras da Record de dinheiro, recria um Ministério e dá ao genro do Silvio Santos. É aparelhamento q se chama? Ou feira livre mesmo?"

O deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) afirmou que o presidente ignorou duas promessas de campanha ao mesmo tempo ao recriar o ministério para entregar ao Centrão. Ele também utilizou a hashtag #BolsonaroTraidor, que era um dos assuntos mais comentados do Twitter no Brasil na manhã desta quinta-feira, 11.

"O centrão não só conseguiu um Ministério. Conseguiram que Bolsonaro recriasse o Ministério das Comunicações só para que pudessem ser acomodados no governo. Com essa, foram duas promessas de campanhas que ele ignorou de uma só vez. #BolsonaroTraidor", disse o representante do Movimento Brasil Livre (MBL), outra entidade ligada à direita que faz oposição a Bolsonaro.

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