Ex-agente nega ação ilegal na Satiagraha

Francisco Ambrósio, que prestou depoimento na CPI dos Grampos, admitiu ter atuado como espião no Congresso Nacional nos anos 80

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

25 de setembro de 2008 | 00h00

Munido de habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que impedia sua prisão, Francisco Ambrósio, agente aposentado do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), afirmou ontem na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grampos que sua participação na Operação Satiagraha, da Polícia Federal, limitou-se a triagem e classificação de e-mails. Ambrósio negou qualquer participação ou conhecimento de escutas telefônicas clandestinas na operação comandada pelo delegado Protógenes Queiroz."A única coisa que posso falar é que todos os grampos de que fiquei sabendo, todas as escutas telefônicas, foram realizadas com ordem judicial", disse Ambrósio, que é apontado como suspeito de ter feito o grampo telefônico que flagrou conversa entre o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).No depoimento, Ambrósio afirmou que recebeu R$ 1,5 mil por mês, durante cerca de cinco meses, para trabalhar na Operação Satiagraha, em Brasília. "Não participei efetivamente da investigação da PF", repetiu Ambrósio, que confessou ter atuado como "espião" no Congresso, na década de 80, durante a abertura política e toda a discussão pelos parlamentares das Diretas Já. O sargento Idalberto Martins de Araújo, do Centro de Inteligência da Aeronáutica, foi outro que fez um depoimento ontem à CPI recheado de negativas. Foi o sargento quem apresentou Ambrósio ao delegado Protógenes Queiroz. Idalberto contou que indicou para Protógenes o sargento Rodopiano, que está na reserva da Aeronáutica, para trabalhar na Operação Satiagraha, no Rio de Janeiro. Segundo Idalberto, Rodopiano teria feito "análise de inteligência" para Protógenes. Idalberto não soube dizer quanto seu colega recebeu da PF. Após os depoimentos, o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), reclamou do segredo de Justiça das investigações que envolvem o banqueiro Daniel Dantas, preso na Operação Satiagraha. A CPI já solicitou todo o processo sobre o caso, mas o Supremo negou o envio dos dados sigilosos. "Daniel Dantas só tem o benefício de não ter seu nome investigado pela CPI pela decretação de segredo de Justiça. Esse segredo de Justiça só protege o ?Zé do Banco?, porque o ?Zé do Morro? não se beneficia disso", disse Itagiba. O deputado também criticou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, por ter enviado à CPI documentos que não podem ser divulgados. "Os documentos chegaram à Defesa na condição de confidenciais e por isso devem ser analisados em termos jurídicos", disse Jobim.

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