''Evoluí nas parcerias, ele involuiu''

Passada CPI, Paes diz que atrito com Lula é ?passado? e garante que valeu a pena esforço para atraí-lo no segundo turno

O Estadao de S.Paulo

26 de outubro de 2008 | 00h00

Com 16 anos de vida pública, o candidato do PMDB à Prefeitura do Rio, Eduardo Paes, ex-DEM e ex-PSDB, entre outras legendas, conseguiu com muito custo o apoio do presidente Lula no segundo turno e acha que valeu a pena. Pondera que o presidente, agora aliado, conseguiu superar bem o escândalo do mensalão, que ele próprio investigou na CPI dos Correios. Na manhã de quarta-feira, ele deu entrevista ao Estado na van da campanha, no trajeto entre o estúdio onde gravou os programas de TV, em Jacarepaguá, e a Universidade Castelo Branco, em Realengo, na zona oeste. "Evoluí nas minhas parcerias políticas. Acho que o deputado Gabeira involuiu nas parcerias dele", diz. A seguir, a entrevista:A união com o governador Sérgio Cabral e com Lula é o centro da sua campanha. Mas Cabral teve muitas derrotas e candidatos apoiados por Lula têm grandes dificuldades. Valeu a pena tanta esforço pelo apoio do presidente? Claro que sim. Um dos objetivos claros que a gente deixou ao longo da campanha era a necessidade de o Rio sair do isolamento político. Eu dizia desde o começo - "Não quero apoiozinho para ver se o presidente transfere voto" - porque acho que isso não é o que acontece. O que eu quero é deixar clara para a população minha disposição de trabalhar com os três níveis de governo conjuntos.Que avaliação o senhor faz do governo Lula? É governo de muita transformação. Tem feito muitas coisas pelo País, avançou em diversas áreas, deu continuidade a coisas importantes do governo anterior. É muito melhor do que o primeiro.O sr. acha que Lula conseguiu vencer os problemas políticos, o escândalos que envolviam o PT? Acho que sim. Isso está superado, é episódio do passado.Neste segundo turno o senhor mudou a estratégia em relação a Cabral? Ele não está no programa de TV, não está na rua com o senhor...Pelo contrário. Tenho contato mais intenso com o governador hoje do que eu tive no primeiro turno. Mas segundo turno é uma disputa de candidato contra candidato. Eu não esperava padrinhos abençoando minha candidatura. A frente de partidos que o sr. reuniu no segundo turno ataca o "conservadorismo" de Fernando Gabeira e refere-se à aliança "demo-tucana" de modo depreciativo. São partidos nos quais o sr. já esteve, o DEM e o PSDB. Não se sente desconfortável com estas críticas? Acho que não. Eu já trabalhei no Rio com o Cesar Maia, com o Marcello Alencar. Evoluí nas minhas parcerias políticas. Acho que o deputado Gabeira involuiu nas parcerias políticas dele. Ele está com Cesar Maia e Marcello Alencar.Se o sr. for eleito, a vitória estará diretamente ligada ao projeto político do governador e garantirá um palanque no Rio para o candidato de Lula à Presidência?A gente tem de tratar de 2010 em 2010. Não é para agora.O sr. se sente à vontade em atacar Maia, depois de ter participado do governo dele e de o PSDB ter apoiado a sua reeleição em 2004? Totalmente, porque acho que o governo dele está muito mal. Ele fez um excepcional primeiro governo, lá atrás. O primeiro governo da segunda fase acho que já não é um bom governo. É uma realidade.O sr. se sente bem no PMDB?Me sinto, sim. É um partido amplo, com várias forças distintas. Essa amplitude me permite ficar confortável.Mesmo com a presença, por exemplo, do ex-governador Anthony Garotinho, que foi contra sua candidatura e não o apoiou? É, como eu disse, um partido amplo. Dentro do PMDB, o Garotinho está lá e eu estou cá, graças a Deus.Como a crise mundial pode afetar o Rio e os investimentos na cidade? Lula já admitiu a possibilidade de cortes. O sr. vai rever projetos?Até a declaração do presidente, havia uma leitura do governo de manter os parâmetros do Orçamento federal e fazer com que a prefeitura mantivesse os seus. Então, vai ter um ano de dificuldades e provável corte de investimentos. Não quero deixar de cumprir com as prioridades, principalmente na área de saúde. Vamos trabalhar para que não sofra nenhum tipo de interferência.Para o sr., o momento mais delicado da campanha foi preparar um pedido de desculpas a Maria Letícia pelos ataques a Fábio Luiz Lula da Silva, filho dela e de Lula. O sr. acredita que ela o perdoou?Acho que ter acertado os ponteiros com o presidente Lula foi muito importante. Para o futuro, para o que a gente pretende fazer pelo Rio.O sr. venceu Gabeira no primeiro turno e agora está em empate nas pesquisas. Identifica algum erro na sua campanha ou acha que o adversário acertou?É natural que seja uma disputa acirrada. Teve do primeiro para o segundo turno uma onda que conseguimos estancar e agora a eleição está igual.O sr. disse que foi vítima de panfletos apócrifos e de mensagens anônimas na internet mais que seu adversário. Mas simpatizantes de sua candidatura também fizeram intensa campanha contra o candidato do PV, inclusive nos templos da Igreja Universal. A campanha negativa funciona? Não funciona. As pessoas têm capacidade de julgar, de discernir a partir das informações que elas recebem. É subestimar a inteligência do eleitor ficar querendo apresentar informações não verídicas.Por que o sr. garante que finalmente o bilhete único será implementado no Rio? Cabral prometeu e não implementou. Para fazer o bilhete único em uma região metropolitana é fundamental ter a principal cidade da região metropolitana funcionando a favor. A prefeitura não trabalha a favor. Vamos conseguir implementar a partir do momento em que eu assumir a prefeitura. Nossa idéia é trabalhar sem subsídios. É uma equação financeira que precisa ser fechada a partir das informações financeiras que a gente tiver.Qual é sua política para enfrentar as drogas?Vamos ter a Secretaria da Juventude, que vai concentrar esse trabalho de prevenção e de atendimento ao dependente.O senhor defendeu no passado a descriminalização da maconha?Não que eu me lembre. Em uma entrevista que dei à Veja Rio eu disse que tinha experimentado. Mas sempre tive posição contrária à legalização.Que medidas concretas o sr. pretende tomar para garantir a participação da prefeitura nas ações de combate à violência? São três vetores. O primeiro é a manutenção da cidade, a iluminação do espaço público. O segundo é o combate à desordem. Finalmente, a prefeitura como agente de promoção social, levando serviços para comunidades carentes.

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