Evo Morales ameaça cancelar visita ao Brasil

A visita do presidente boliviano, Evo Morales, a Brasília, marcada para esta quarta-feira, corre o risco de ser cancelada. A viagem ainda não havia sido confirmada pelo governo boliviano até esta segunda-feira e, de acordo com uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Bolívia, a confirmação só deveria acontecer nesta terça-feira. A embaixada da Bolívia em Brasília também aguarda a confirmação de La Paz. O ministro de Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, disse nesta segunda-feira na capital boliviana que a visita depende do bom resultado, para o governo boliviano, das negociações para o aumento do preço do gás comprado pelo Brasil. O governo boliviano quer que o preço pago pela Petrobras aumente dos atuais US$ 4,3 por milhão de BTU (unidade de medida térmica) para US$ 5 por BTU, o mesmo valor do acordo fechado com a Argentina. Planejamento continua O governo brasileiro não foi informado de um possível cancelamento e o cerimonial continua trabalhando para a realização do encontro, que inclui uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um almoço no Palácio do Itamaraty. De acordo com a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, a visita já consta da agenda do presidente Lula há vários dias e na semana passada foi confirmada à imprensa pelo assessor de Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. No Itamaraty, o planejamento também segue normalmente. A visita foi anunciada durante a reunião da Comunidade dos Países Sul-Americanos, em Cochabamba, em dezembro. A programação da visita, acordada entre os dois governos, prevê a chegada do presidente boliviano a Brasília às nove horas da manhã, com partida às 17 horas. Morales seria recebido com honras no Palácio do Planalto, teria uma reunião com o presidente Lula, seguida de assinatura de atos e acordos e uma declaração conjunta à imprensa e um almoço de ambos com convidados no Palácio do Itamaraty. Morales ainda se encontraria depois do almoço, separadamente, com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, e do Senado, Renan Calheiros. Nas mãos de Lula No domingo, o próprio Morales disse em entrevista coletiva no palácio presidencial que as discussões técnicas sobre o preço do gás estavam concluídas e que uma definição agora estava nas mãos do presidente Lula. Ele voltou a afirmar que a Bolívia não vai "subvencionar" o gás para o Brasil. "Respeitamos a liderança regional do Brasil, seu desenvolvimento e sua indústria, mas do nosso ponto de vista não podemos seguir subvencionando o gás, especialmente o da zona de Cuiabá", afirmou. O gás que vai para Cuiabá é vendido por US$ 1 por BTU. Neste caso, o comprador não é a Petrobras, mas a empresa Pantanal Energia, que opera usinas termoelétricas na região. A participação da Petrobras na reunião entre os dois presidentes não estava prevista na programação informada pela embaixada boliviana, mas é dada como certa por assessores do Planalto. De acordo com a assessoria de imprensa da empresa, o presidente Sérgio Gabrielli, que viaja para Houston, nos Estados Unidos, nesta segunda-feira à noite para participar de uma feira, estará de volta a Brasília nesta quarta, data prevista para a visita de Morales, e ficará à disposição em Brasília se o presidente Lula considerar necessária sua presença na reunião.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.