Evitando ataques a Jucá e Renan, líderes do PT apostam em plebiscito sobre novas eleições

Senadores não acreditam que pedidos de prisão são suficientes para reverter impeachment; delação da Odebrecht causa apreensão

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2016 | 07h21

BRASÍLIA - Lideranças do PT no Senado não acreditam que a eventual prisão de líderes do PMDB seja suficiente para reverter os votos que a presidente afastada Dilma Rousseff precisa no processo de impeachment. Em tom ameno, os parlamentares evitam acusar o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o senador Romero Jucá (PMDB-RR), mas defendem reservadamente a realização de um plebiscito para consultar a população sobre novas eleições. Esta, acreditam, seria a principal estratégia para convencer os indecisos a apoiar Dilma, além de ser uma oportunidade para a presidente afastada reconquistar legitimidade na Casa.

Para viabilizar a ideia, os congressistas precisam convencer os movimentos sociais a apoiar a consulta popular, já que acreditam que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) não deve surgir do partido, e sim das "ruas". Até o momento, a Central Única de Trabalhadores (CUT) seria o ponto de maior resistência, mas, segundo algumas lideranças, já estaria demonstrando sinais de que poderia endossar a ideia. Os movimentos também seriam o caminho para convencer a presidente afastada, que agora estaria vendo o assunto com maior simpatia.

Embora avaliem que o governo está enfraquecido, os petistas evitam ataques aos aliados do presidente em exercício Michel Temer. Há o temor em algumas alas da legenda de que o caso do ex-senador Delcídio Amaral, preso no ano passado, possa ter aberto precedentes para outros casos, o que seria reforçado caso o Supremo Tribunal Federal acate os pedidos de prisão da Procuradoria-geral da República (PGR). Alguns parlamentares também consideram ser muito cedo para celebrar uma vitória do partido. Eles estão receosos com o acordo de delação premiada da Odebrecht, que poderia envolver membros da sigla. 

A proposta do plebiscito é defendida abertamente por cerca de dez senadores "independentes" do Congresso Nacional, como o senador Cristovam Buarque (PPS-DF), que votou a favor da abertura do processo de impeachment de Dilma. Assim que soube dos pedidos de prisão de Renan e Jucá, mais cedo, ele ligou para parlamentares defendendo a ideia de novas eleições. Já os governistas são totalmente contrários à proposta. Segundo o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), não é possível nem se quer discutir a ideia, pois, segundo ele, antecipar ou postergar as eleições seria inconstitucional.

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