Evento da Petrobrás vira ato contra criação de CPI

Presidente da empresa usa divulgação de balanço social para defender setor de comunicação institucional

Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

30 de junho de 2009 | 00h00

A Petrobrás transformou o lançamento de seu balanço social, ontem, em ato de defesa da política de patrocínios da companhia, um dos temas que serão investigados pela CPI do Senado. A palavra "transparência" foi a tônica dos discursos feitos por executivos da estatal. Para o presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, a cobrança da imprensa sobre os patrocínios da empresa é "injusta". Ele recebeu duras críticas no Senado pelo tom de entrevista publicada no Estado no domingo, na qual reclamou da atuação da imprensa nas últimas semanas. A entrevista teve grande repercussão no blog da Petrobrás, onde foi publicada na íntegra, conforme política adotada pela estatal desde o último dia 2. Até o início da noite de ontem, o post com a entrevista tinha 65 comentários. A estatal cita casos de repercussão internacional das declarações, divulgadas pelas agências de notícias Ansa e United Press.DISCURSOEm seu discurso, Gabrielli enumerou as razões da estatal para os investimentos na área de comunicação institucional, que tem um orçamento de R$ 907 milhões em 2009 e é responsável por patrocínios a projetos sociais, culturais, esportivos e ambientais da empresa.Dentre as atribuições, está a decisão por patrocínios a festas juninas na Bahia, um dos temas do requerimento da CPI, criada no Senado no dia 15 de maio.Para o presidente da Petrobrás, "a imprensa está injustamente cobrando" a respeito da política de patrocínios, apontada por ele como um dos pilares da atuação da empresa."É lógico que notícias vão aparecer, que denúncias infundadas ou não vão aparecer e estamos desde o início nos colocando à disposição para esclarecimentos", concordou, em seu discurso, o gerente executivo de comunicação institucional, Wilson Santarosa.SOCIALO gerente executivo foi o primeiro a exaltar a transparência do sistema de concessão de patrocínios, seguido pelo secretário executivo da Agência de Notícias do Direito da Infância (Andi), Veet Vivarta. Ele defendeu os desembolsos para o Fundo da Infância e do Adolescente (FIA), também alvo de questionamentos sobre suposto favorecimento a prefeitos aliados. Vivarta chegou a distribuir um comunicado da comissão responsável pelo fundo, isentando a Petrobrás de ingerência na distribuição dos recursos e fiscalização de seu uso."As associações fizeram um comunicado público sobre recursos do FIA e, diante dos questionamentos, considero necessário fazer a divulgação aqui", disse Vivarta, em seu discurso, solicitando que o documento fosse distribuído para toda a plateia.Gabrielli não quis dar entrevista ao final do evento. Questionado na saída sobre o tom de desagravo dos discursos, que incluíram ainda outros três executivos da área de comunicação institucional, ele negou que houvesse tal intenção.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.