Evento custou 7,4 vezes mais que governo anunciou

Planalto reconheceu nesta quarta-feira, 18, gastos de R$ 1,85 milhão durante encontro nacional com prefeitos

Leonencio Nossa e Rosa Costa, de O Estado de S.Paulo,

18 de fevereiro de 2009 | 20h37

O Palácio do Planalto reconheceu nesta quarta-feira, 18,  gastos de R$ 1,85 milhão com o Encontro Nacional com os Novos Prefeitos e Prefeitas. Na semana passada, o governo afirmara despesas de apenas R$ 253 mil. Mas confrontado com a informação, publicada pelo 'Estado', de que o Ministério das Cidades também financiara com R$ 1,35 milhão o evento, apresentou nova versão. Uma segunda versão também subestimada.  Em entrevista na noite de ontem, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Múcio, organizador do encontro, argumentou que o valor informado inicialmente de R$ 253 mil correspondia apenas a despesas de sua pasta. A Presidência chegou a divulgar nota na semana passada para informar este valor, gasto apenas na publicação de um catálogo e em infraestrutura. "Não houve má fé ou maldade", disse. "Eu não ia esconder uma conta de R$ 1,6 milhão", completou. "Não tivemos intenção de fazer nada escondido." Os dados divulgados ontem por Múcio mostram que o evento com os prefeitos contou ainda com recursos dos ministérios da Educação (R$ 1.650), Cultura (R$ 97 mil), Justiça (R$ 11 mil), Previdência (R$ 51 mil), Turismo (R$ 48 mil), Agricultura (R$ 1.749), CGU (R$ 13 mil), GSI (R$ 4 mil), Minas e Energia (R$ 1.740), Meio Ambiente (R$ 20 mil) e Desenvolvimento Social (R$ 22 mil). Somados com os valores gastos pelas pastas de Múcio e da Cidades dá R$ 1,8 milhão.  Mas pesquisa realizada pela assessoria técnica do DEM a pedido do Estado revelou outros gastos não elencados por Múcio -- nem na primeira nem na segunda versão do Palácio. De acordo com dados do SIAFI, o Encontro dos Prefeitos consumiu verba de pelo menos outros quatro órgãos do governo.  O Ministério da Agricultura, por exemplo, fez uma encomenda de material gráfico no valor de R$ 33.710, 00 à Gráfica e Editora Brasil. A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres empenhou R$ 7,8 mil para imprimir livretos, enquanto os ministérios do Esporte e da Saúde, juntos, empenharam R$ 13,9 mil para a montagem de stands.  Perguntado sobre essa quarta safra de financiadores do evento (além da própria pasta de Múcio, do Ministério das Cidades e da lista de colobaradores divulgada pelo Planalto), a assessoria do ministro disse que Múcio fez questão de afirmar que o balanço apresentado ontem não era completo.  Na entrevista, antes de tomar conhecimento do patrocínio desse novos órgãos do governo, Múcio relatou que pediu números de despesas feitas por todos os ministérios para dar uma satisfação à imprensa. Por isso, achou melhor divulgar já os dados que foram enviados pelas pastas. Registre-se que a contabilidade ainda não incluem as verbas injetadas pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.  José Múcio rebateu críticas da oposição de que o governo organizou o evento, que contou com a presença de 5.300 prefeitos e prefeitas, para promover a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência em 2010. "Não houve conotação política eleitoral", disse. "Isso (encontro) foi mais um elemento para enfrentarmos a crise financeira com a ajuda dos prefeitos", completou.  Os partidos de oposição na denúncia que fizeram à Justiça eleitoral citam, a pretexto de caracterizar eleitoralmente o evento, a existência de um stand de fotos no local, nos dois dias do encontro, especializado em fazer montagens fotográficas usando imagens de Lula e Dilma. O Planalto negou a contratação da firma.  Depois da polêmica de que o Encontro Nacional dos Prefeitos e Prefeitas teria sido organizado pelo governo para promover Dilma Rousseff, o presidente Lula orientou assessores e ministros a evitarem ataques à oposição. A ordem dele é mostrar que o encontro teve um caráter institucional. Os oposicionistas DEM e o PSDB entraram ontem no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o governo por antecipar a campanha eleitoral.

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