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Evangélicos e ruralistas aderem a Cunha

Peemedebista tem viajado pelo País com políticos ligados a igrejas e agora também recebe apoio de deputados vinculados ao agronegócio

DANIEL CARVALHO, Estadão Conteúdo

15 de janeiro de 2015 | 20h50

Brasília - Duas das mais polêmicas e combativas bancadas da Câmara aderiram à candidatura de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Casa. Com cerca de 90 deputados na próxima legislatura, os evangélicos estão em campanha pelo peemedebista, e os ruralistas divulgaram nota de apoio. Para os dois grupos, Cunha se comprometeu a acolher demandas, como a rejeição a qualquer tentativa de liberalização do aborto e de criminalização da homofobia; e a possibilidade de que o Congresso tenha poder de demarcar terras indígenas. 

Os evangélicos são os mais entusiasmados com Cunha. Pastores têm viajado com o deputado para angariar votos da bancada evangélica. “Cunha representa a possibilidade de termos uma Câmara independente, onde serão colocados na pauta assuntos de interesse do Brasil, e não somente do governo e do partido do governo”, disse o Pastor Everaldo, presidente nacional do PSC e candidato derrotado a presidente da República. Ele é amigo de Cunha e um dos que o acompanham nas viagens.

Segundo integrantes da bancada evangélica, a tendência é de que até 90% da bancada vote no candidato do PMDB. Os restantes são ligados a PT, PSB ou ao deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), ex-aliado e hoje desafeto de Cunha. 

Evangélico, Cunha é simpático à pauta do seguimento, que inclui temas como oposição ao aborto e à criminalização da homofobia, além da aprovação dos estatutos da família e do nascituro, que assegura o direito à vida ao bebê em gestação. 

O peemedebista disse ter prometido à bancada “deixar que aconteça tudo o que tem que acontecer” para a pauta do seguimento ser apreciada. “A bancada evangélica naturalmente tem muito mais afinidade comigo pelo fato de eu fazer parte dela, de eu defender a vida e a família. Sabem que sou contra o aborto. Defesa da vida e da família, essa é a minha posição”, disse Cunha, que em 2010 apresentou projeto de lei para criminalizar a “discriminação contra heterossexuais”. 

Nesta semana, quem entrou em campo pedindo votos para Cunha foi o pastor Silas Malafaia, presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Ele disse que resolveu se manifestar após o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), defensor das causas LGBT na Câmara, dizer em entrevista ao jornal carioca O Dia, no domingo, que “não tem santo que me faça votar em Eduardo Cunha”. “Como eu tenho posições radicais contra o que ele (Wyllys) tem de ideologia, onde ele se manifesta ideologicamente com força, eu me manifesto ao contrário”, disse Malafaia. O pastor calcula ter ajudado a eleger cerca de 20 deputados, mas acredita que sua influência na bancada vai além. 

Malafaia designou o deputado recém-eleito Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ) para acompanhar Cunha e fazer a ponte entre o candidato e aqueles que integrarão a bancada evangélica a partir de fevereiro. Pastor da Assembleia de Deus, Cavalcante foi diretor de eventos da Vitória em Cristo.

‘Combativo’. Já os ruralistas divulgaram nota em que recomendam o voto em Cunha. “Dirigimo-nos a todos os membros da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para fazer o seguinte pedido: votar no combativo líder deputado Eduardo Cunha , nosso candidato à Presidência da Câmara Federal”, diz o texto, que conta com 166 deputados. Na sequência, o documento diz: “Estamos confiantes de que, eleito, Eduardo Cunha reconhecerá o nosso peso e abraçará as nossas causas. Por isso mesmo é que estamos recomendando nele votar”. 
Cunha disse ao Estado que as pautas dos ruralistas serão analisadas, caso seja eleito. Como exemplo, disse que recriará a comissão que discute as regras de demarcação de terras indígenas.

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