Europa apura se Alstom pagou propina no Brasil

Multinacional teria dado comissões para obter contrato com Metrô de São Paulo e para construir usina de Itá

Jamil Chade e Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

07 de maio de 2008 | 00h00

A empresa francesa Alstom está sendo investigada na Suíça e na França por suspeita de pagar propina para obter contratos em países da Ásia e da América do Sul, entre eles o Brasil. No País, os contratos irregulares seriam o da venda de equipamentos para a ampliação do Metrô de São Paulo, no valor de US$ 45 milhões, sendo US$ 6,8 milhões em comissões ilegais, e o da construção da Usina Hidrelétrica de Itá, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, no valor de US$ 200 milhões, dos quais US$ 30 milhões seriam para pagamento de propina.O caso foi revelado na edição de ontem do jornal Wall Street Journal. Segundo a reportagem, a Alstom, gigante dos transportes e de energia presente em 70 países, pagou propina por contratos entre 1995 e 2003. No Brasil, afirma o jornal, o contrato com o Metrô foi fechado no final da década de 90 e executado durante vários anos. O da usina hidrelétrica é do ano 2001.O jornal afirma ainda que, nas últimas semanas, houve contatos entre autoridades suíças e brasileiras para tentar reconstituir o percurso das supostas propinas. Um brasileiro estaria na lista de 24 suspeitos pelos crimes envolvendo a empresa. Ele seria representante de um político que teria agido para que a Alstrom vencesse a licitação do Metrô, em troca de uma propina de 7,5% do valor do contrato.O Ministério Público da França confirmou ontem que uma equipe da Divisão Nacional de Investigações Financeiras da polícia francesa mantém, desde novembro de 2007, um inquérito para apurar suspeitas de corrupção de funcionários públicos em contratos firmados pela Alstom. O Ministério Público suíço também confirmou a investigação, que surgiu de um relatório da consultoria KPMG.A Alstom afirma que não existe processo aberto contra ela e que as pessoas citadas na investigação não têm contato com a empresa desde 2001.As suspeitas são de que pessoas ligadas à Alstom teriam pago propinas por meio de empresas laranjas criadas na Suíça e em Liechtenstein, dois paraísos fiscais. Esse dinheiro teria sido enviado a representanes da empresa na Indonésia, em Cingapura, no Brasil e na Venezuela. A investigação começou por acaso. A Comissão Federal de Bancos da Suíça, que regula o setor financeiro, pediu que a KPMG preparasse um relatório sobre a situação do Banco Tempus, de Genebra. "Para nós, o caso já está fechado, porque o banco que estávamos avaliando não existe mais desde 2004", afirmou Alain Bichsel, da comissão de bancos. "O objetivo da investigação não era a Alstom", disse a autoridade regulatória da Suíça ao Estado. Segundo ele, porém, parte do relatório mostrou a relação do banco com a empresa francesa. Essa, portanto, teria sido a pista que levou as autoridades suíças a investigar o suposto esquema de propinas da Alstom.

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