Eurasia revê para baixo chance de vitória de Dilma

A consultoria Eurasia ainda acredita que a presidente Dilma Rousseff (PT) é a favorita para vencer a eleição presidencial, mas reduziu sua previsão sobre a probabilidade de isso ocorrer de 70% para 60%. Em teleconferência, os analistas Christopher Garman e João Augusto de Castro Neves reconhecem que o desempenho de Aécio Neves (PSDB) no primeiro turno e no começo da segunda etapa foi mais forte do que o esperado, mas dizem que as vulnerabilidades dele e do seu partido ainda não foram exploradas durante a campanha.

ÁLVARO CAMPOS, Estadão Conteúdo

10 de outubro de 2014 | 13h22

"A disputa vai ser mais apertada do que nós esperávamos. Dilma não tem muito tempo para recuperar terreno", afirmou Garman. Segundo ele, Aécio ainda se beneficia do seu bom desempenho no primeiro turno e de um ciclo de notícias positivas para sua campanha, mas sua situação pode repetir o que houve com Marina Silva (PSB), que subiu rapidamente nas pesquisas e logo depois passou a cair. "Ele se beneficia do desejo de mudanças, que é a marca dessa campanha, mas ainda não foi alvo de ataques. Nós acreditamos que o PT deve repetir a estratégia usada com Marina e tentar desconstruir Aécio", afirma. "Ele ainda não passou no teste de estresse".

A consultoria também diz que boa parte dos votos de Marina que poderiam migrar para Aécio já aconteceu no primeiro turno, e que no Nordeste muitos eleitores da ex-ministra e do PSB podem acabar indo para Dilma.

Outro fator que faz com que a Eurasia considere Dilma favorita é que, apesar da fragilidade da economia, boa parte do eleitorado considera que tem muito a perder com uma eventual mudança de governo, já que o desemprego continua baixo e a renda segue crescendo.

Garman aponta que a campanha de Dilma pode ser prejudicada pelas denúncias de corrupção envolvendo a Petrobras, que têm recebido grande destaque na imprensa. Nesse cenário, os debates televisivos podem ter um papel decisivo no resultado da eleição.

Sobre a discrepância entre os resultados das pesquisas e os números registrados nas urnas no primeiro turno, Garman cita alguns fatores que podem ter contribuído para esse descasamento. Entre eles estão a alta taxa de abstenção, especialmente em zonas onde o PT é tradicionalmente mais forte, além de indecisão dos eleitores em meio ao grande número de candidatos e possíveis confusões causadas pelos diversos cargos que estavam em disputa.

No caso de reeleição de Dilma, os analistas da Eurasia dizem que existem dois cenários possíveis. O primeiro é que ela adote mudanças graduais, inclusive indicando um ministro da Fazenda que sinalize um ajuste nas contas públicas. "Mesmo assim, nós só esperamos um ajuste gradual", diz Garman. A outra alternativa é que Dilma continue e mesmo reforce as políticas adotadas no seu primeiro mandato, o que tornaria a situação macroeconômica brasileira "bastante difícil".

Garman aponta que em um segundo mandato Dilma assumiria com a economia enfraquecida e a confiança dos empresários bastante baixa. Além disso, o quadro atual pode levar a um aumento do desemprego, o que seria muito difícil para ela, politicamente. "Ela tem pouca lealdade dentro do próprio partido e na base aliada, por isso pode ter grandes dificuldades com o Congresso", aponta.

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