Eurasia: Cancelar visita pode comprometer investimentos

Segundo consultoria com sede em Washington, cancelamento da viagem oficial de Dilma aos Estados Unidos pode repercutir negativamente nos investimentos e operações de companhias norte-americanas no Brasil

Altamiro Silva Júnior, Agência Estado

17 de setembro de 2013 | 17h21

O cancelamento da visita oficial de Estado que a presidente Dilma Rousseff faria aos Estados Unidos em outubro deve ter impacto reduzido na agenda bilateral de negociação entre os dois países, mas pode repercutir negativamente nos investimentos e operações de companhias norte-americanas no Brasil, sobretudo em setores mais sensíveis, como o de defesa e o de petróleo e energia. A avaliação é da consultoria Eurasia, com sede em Washington.

"A decisão vai adicionar tensões na relação entre Brasil e Estados Unidos, mas que não serão suficientes para interromper a agenda existente de negociações bilaterais", destacam os analistas da consultoria, João Augusto de Castro Neves, Christopher Garman e Jefferson Finch em um e-mail comentando a decisão de Dilma de cancelar a visita a Barack Obama, confirmada oficialmente nesta terça-feira, 17. A alegação é que Washington não respondeu de forma satisfatória sobre a espionagem feita pelos EUA no governo brasileiro e em empresas locais.

A Eurasia não prevê que questões que vêm sendo discutidas pelos dois países, como o relaxamento da política de concessão de vistos a viajantes brasileiros pelos EUA e negociações sobre tarifas, sejam afetadas. Mas alguns negócios em setores mais sensíveis da economia podem ser prejudicados. "A cooperação no setor de defesa muito provavelmente deve ser afetada", destacam os analistas. As chances da fabricante de aeronaves Boeing vender caças à Força Aérea Brasileira, por exemplo, ficam significativamente menores após o cancelamento da visita oficial, destaca a Eurásia.

No setor de energia e telecomunicações, investimentos também podem ser afetados e tensões políticas podem surgir. Os analistas citam, por exemplo, que, se uma empresa norte-americana vencer o primeiro leilão do pré-sal, que será em outubro, vai ser criado algum ruído político, sobretudo após as denúncias de espionagem de Washington nas operações da Petrobrás.

A revelação da espionagem dos EUA no governo e em empresas brasileiras pode elevar os sentimentos nacionalistas no País e criar incentivos para Brasília impor algumas restrições às operações de empresas norte-americanas em setores mais sensíveis, destacam os analistas. Mas, ao mesmo tempo, o risco de retaliação às companhias brasileiras que operam nos EUA tende a reduzir ações mais agressivas e evitar que o escândalo da espionagem leve a uma guerra comercial entre os dois países.

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