EUA recebem documentos para quebra de sigilo

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banestado recebeu nesta sexta-feira a garantia dos integrantes da força-tarefa, formada por procuradores da República e policiais federais para investigar a evasão de divisas por meio de contas CC-5, de que, até o fim do mês, o governo norte-americano terá as informações necessárias para quebrar o sigilo de outras 16 contas bancárias. Até agora, somente nove tiveram os sigilos liberados. "Precisamos fazer um trabalho necessário e silencioso para recuperar o tempo perdido" disse o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), após reunir-se com a força-tarefa em Curitiba. Os dois grupos passarão a se reunir semanalmente para troca de informações. Na primeira reunião, na segunda-feira, em Brasília, será discutida a possibilidade de quebra de sigilo em outros cinco bancos, além do Banco do Estado do Paraná (Banestado), que também faziam operações de remessas de recursos para o exterior. O senador citou o Banco Araucária, o Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), o Banco Real, o Banco do Brasil e o Banco Rural, que não tinha autorização, mas fazia as operações.A reunião entre os representantes da CPMI e os integrantes da força-tarefa foi a portas fechadas. O procurador da República Vladimir Aras disse que, reservadamente, serão revelados aos membros da comissão alguns nomes de pessoas que estão sendo investigadas. Segundo ele, já há várias quebras de sigilo autorizadas pela Justiça. "Outras serão feitas aqui e no exterior", afirmou. O procurador disse que há "milhares" de contas e pessoas sendo analisadas. A força-tarefa, que iniciou as atividades em 6 de maio, está trabalhando em três focos. O primeiro é o transporte de reais na fronteira entre Brasil e Paraguai por carro-forte. O segundo é o que trata de inquéritos da CC-5 produzidos em Curitiba e Foz do Iguaçu, que terão denúncias até o fim de agosto. O terceiro, que será iniciado a seguir, é o trabalho no exterior. "Queremos saber para onde o dinheiro foi a partir dos depósitos em Nova York, Flórida e em bancos nos paraísos fiscais", disse Aras. "Podemos identificar algumas pessoas certamente."

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