EUA querem garantias para negociar subsídios agrícolas

Os EUA sinalizam que estão dispostos a negociar subsídios agrícolas. Contudo, fica claro que eles vão exigir uma contrapartida. Neste sábado, 10, em duas ocasiões, esta realidade ficou evidente. A representante do país para o Comércio, Susan Schwab, insistiu que os EUA não apresentarão um "ajuste" na oferta de cortes de subsídios aos agricultores, antes que os demais parceiros da Organização Mundial do Comércio (OMC) exponham suas "cartas" sobre a abertura de seus mercados agrícolas.No Uruguai, em outra ocasião, o presidente norte-americano, George W. Bush, disse que os EUA estão preparados para reduzir subsídios agrícolas, mas querem assegurar acesso de seus produtos a mercados. Recado entendido, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o Brasil está disposto a negociar a remoção de obstáculos ao setor industrial. De acordo ele, as negociações entre os dois países estão progredindo. Schwab e Amorim reuniram-se um dia após a visita do presidente americano, George W. Bush, ao Brasil, durante a qual as questões comerciais tiveram destaque.Ao lado de Amorim, com quem se reuniu por quase três horas, Schwab mostrou-se preocupada com o "risco real" de a Rodada Doha fracassar, nos próximos meses, devido à ausência de um acordo "ambicioso e equilibrado" a respeito dos limites para os subsídios agrícolas. Susan disse ao ministro que o Brasil tem um papel chave para que se chegue a um acordo de livre comércio em todo o mundo. "Estou cautelosamente otimista de que chegaremos a uma solução", disse ela. "Se não encontrarmos uma solução nesta oportunidade, a Rodada Doha estará em risco."Ambos disseram não haver um prazo oficial para que se encontre uma solução sobre a Rodada Doha. Para Amorim, isso deve ocorrer até abril ou maio. Porém, segundo Susan, para isso serão necessários muitos meses.Rodada DohaBush chegou na sexta-feira, 9, ao Uruguai, dando continuidade à sua viagem pelos países latino-americanos. Neste sábado, o presidente americano disse que os EUA "estão completamente preparados para reduzir os subsídios à agricultura", tocando em um dos pontos que mais contribuíram para a paralisação da Rodada Doha."Só queremos garantir que os nossos produtos terão acesso ao mercado", disse Bush. Ele afirmou ter conversado com o presidente uruguaio, Tabaré Vásquez, sobre o progresso da Rodada Doha e afirmou ter esperança de que um acordo seja fechado.As negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) para o final das barreiras e a abertura do comércio foram paralisadas em julho de 2006, quando membros da OMC não chegaram a um acordo sobre a diminuição dos subsídios agrícolas.Para que um acordo seja possível, os países em desenvolvimento querem que os EUA façam cortes maiores aos subsídios agrícolas e que a União Européia diminua mais os impostos sobre a importação de produtos agrícolas.Em troca, as nações em desenvolvimento teriam de abrir seus mercados a bens e serviços, dizem os países ricos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na sexta-feira, 9, estar otimista quanto ao sucesso da Rodada Doha, embora Bush tenha afirmado que ainda é necessário muito trabalho.

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