EUA querem etanol no combate à pobreza na América Latina

O subsecretário para o Hemisfério Ocidental do governo norte-americano, Thomas Shannon, contou nesta quinta-feira que a parceria entre Brasil e Estados Unidos sobre etanol pode servir para aliviar a pobreza na América Latina. Shannon, que prestou depoimento em uma audiência sobre a política dos Estados Unidos para a América Latina, disse que os dois países devem atuar juntos para "destravar o potencial energético" latino-americano e, através do etanol, "buscar uma maneira de ajudar países centro-americanos e caribenhos."As visitas de George W. Bush ao Brasil, na próxima semana, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, no dia 31 de março, devem servir para que os dois países tracem as diretrizes de uma parceria sobre etanol. Brasil e Estados Unidos pretendem fazer um projeto-piloto ligado ao etanol em um país caribenho ou da América Central.De acordo com o subsecretário, um dos pilares da iniciativa seria o de "criar programas pilotos para países que não estão produzindo etanol, para que eles compreendam como podem usar suas capacidades agrícolas para produzi-lo."Etanol x pobrezaShannon acredita que o biocombustível oferece um potencial enorme, "que rapidamente se estenderá por todo o hemisfério, especialmente aos países mais pobres do Caribe e da América Central." O subsecretário descartou, no entanto, que a parceria com o Brasil fará com que os norte-americanos venham a reduzir as tarifas cobradas sobre o etanol brasileiro exportado para os Estados Unidos. "É um assunto do Congresso. Não é algo que possamos tratar neste momento", afirmou. Atualmente, o álcool brasileiro paga sobretaxa de US$ 0,54 por galão (R$ 0,30 por litro) para entrar no mercado americano.Fórum de biocombustíveis O subsecretário ainda defendeu a criação do Fórum Internacional de Biocombustíveis, que incluirá Brasil, Estados Unidos, África do Sul, Índia, China e a União Européia, cujo lançamento oficial se dará nesta sexta-feira, na sede das Nações Unidas, em Nova York.Segundo ele, a idéia por trás do fórum é a de "começar a trabalhar para criar os padrões internacionais para transformar biocombustíveis em uma commodity internacional."A transformação do álcool em commodity internacional seria o passo inicial para que ele venha ser negociado em bolsas de mercadorias, como o petróleo ou a soja.O fórum deve ter duração de um ano e a idéia é de que seus participantes realizem reuniões periódicas com vistas à criação de grupos de trabalho que tratariam de temas considerados prioritários.

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