EUA pressionam Brasil sobre remédios contra aids

Os Estados Unidos pressionam o Brasil para que o País desista de apresentar sua proposta que garante aos países o acesso a medicamentos para o combate da aids na Assembléia Mundial da Saúde. Hoje, no primeiro dia da reunião, os delegados de Washington se encontraram com os brasileiros para pedir, formalmente, que Brasília retirasse a proposta de resolução sobre os remédios.Segundo o ministro da Saúde, José Serra, que lidera a delegação brasileira, o País manterá suas propostas de defesa de acesso equitativo a medicamentos em escala mundial, sobretudo aqueles para o tratamento da aids. "Nessa linha, vamos propor um fundo internacional para todos os países e defender a produção de genéricos", afirmou Serra. A proposta do Brasil ainda inclui a elaboração de uma lista mundial com os preços das drogas.A iniciativa colocou o Brasil no centro dos debates em Genebra. Até o começo da noite de hoje, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informava que a resolução apresentada pelos brasileiros já contava com o apoio de quase 20 outros países. A preocupação dos Estados Unidos com o Brasil é tanta que a delegação norte-americana conta com funcionários que falam português para facilitar as negociações.Segundo o coordenador do Programa de Combate à Aids do Ministério da Saúde, Paulo Roberto Teixeira, as principais queixas dos Estados Unidos se referiram à diferenciação de preços dos produtos farmacêuticos e à insistência do Brasil em declarar que os países devem garantir o acesso aos remédios.Outro ponto de discórdia sobre a proposta brasileira foi sobre o fundo internacional que financiaria remédios a preços mais baratos. Washington não concorda que o mecanismo esteja a disposição de todos os países. Além disso, os norte-americanos são contrários à lista mundial de preços de medicamentos.Nesta terça-feira, o ministro Serra apresenta a proposta à Assembléia. Antes, porém, terá um encontro privado com o Secretário de Saúde dos Estados Unidos, Tommy Thompson, para debater o caso. Para os norte-americanos, que estão sendo observados de perto por representantes das empresas farmacêuticas, qualquer decisão sobre o acesso a remédios deve esperar a reunião especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Aids, marcada para junho, em Nova York.Segundo dados da OMS, 1 bilhão de pessoas não conseguem ter acesso ideal aos produtos farmacêuticos. "O acesso é uma responsabilidade social e moral dos países", afirmou uma funcionária da organização. Segundo ela, as empresas deveriam desenvolver remédios para doenças que afetam as populações mais pobres, mesmo que os lucros não fossem tão altos.

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