EUA pode pedir extradição de brasileiro acusado de tráfico

A Polícia Federal acredita que o fazendeiro Leonardo Dias Mendonça, apontado pelos Estados Unidos como um dos traficantes brasileiros ligados ao narcotráfico colombiano, pode ter sido responsável por pelo menos 10 toneladas de cocaína que entraram no País mensalmente há dois anos. Dias Mendonça foi preso em 2000, mas conseguiu liberdade. Indiciado pela Justiça dos Estados Unidos no início da semana, ele pode ter seu pedido de extradição requerido ao Brasil pelo governo americano.Relatórios da PF apontam que o fazendeiro, natural de Goiás, mas que mantinha sua base de operações no Sul do Pará, tinha um extenso círculo de atividades, iniciando pelo Suriname, passando por Roraima, Pará, Maranhão e Mato Grosso, chegando até Barueri, no interior de São Paulo.A maior parte da droga que trouxe ao Brasil foi fruto de troca por armas com integrantes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Ele viveu na Guiana Inglesa e Suriname, locais que, segundo as investigações, são os principais destinos da cocaína que vem da Colômbia, passando pelo Brasil", informa um delegado da PF que trabalhou no caso.De um humilde e eficiente office-boy em Goiânia, onde transportava documentos com uma motocicleta, Dias Mendonça transformou-se num poderoso traficante no fim da década de 90, rivalizando apenas com Fernandinho Beira-Mar. Mesmo assim, nenhum dos dois entravam no negócio do outro. O fazendeiro preferia o mercado internacional das drogas, enquanto que o traficante fluminense trabalhava mais no Brasil. Além das drogas, um ramo em que está praticamente há quase 10 anos, segundo avaliação da PF, Dias Mendonça gosta de vaquejadas e aviões.As atividades do fazendeiro começaram na região de Itaituba e Marabá, no Pará. Dias Mendonça começou a negociar armas com autoridades do Suriname, que depois eram transportadas em seus próprios aviões para a área de guerrilha em Barracominas, na Colômbia. "O tráfico internacional por ele realizado atua com pequenos aviões conduzidos por pilotos hábeis, que esbanjam perícia nos pousos e decolagens em pequenas pistas clandestinas, voam em período noturno, fazem lançamentos (arremesso de carga em vôos rasantes)", conta o delegado.A PF está fazendo o levantamento da droga que Dias Mendonça teria trocado com os guerrilheiros. Para cada arma levada do Suriname, um preço. Um fuzil automático, por exemplo, que no mercado valia em torno de US$ 3,2 mil, custava ao traficante um quilo de cocaína. Muitas vezes, em uma só viagem o fazendeiro trazia de Barracominas, até 500 quilos por viagem.Há pelo menos quatro anos, quando estava atuando em Boa Vista (RR), o fazendeiro vem sendo monitorado pela PF que, a partir daí, foi prendendo seus comparsas. Em Santarém, em 1997, a PF deteve um deles com US$ 110 mil e uma agenda repleta de informações sobre Leonardo Dias Mendonça. Em Buriticupu (MA), foram apreendidos 141 quilos de cocaína, que seria transportada para a costa da África. O lançamento seria feito por um páraquedista profissional, que acabou preso.Dias Mendonça atuou tambémn no Estado de São Paulo, onde ficou comprovado que os 117 quilos da droga encontrados em Bariri, no ano passado, eram mesmo do fazendeiro. Também houve registro de apreensões em Cocalinho (MT) e Trombetas (PA), mas a PF acredita que a ligação pode chegar até mesmo ao Sul do País. Dias Mendonças foi libertado no ano passado, depois de passar 60 dias preso em Belém.

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