EUA perdem importância nas exportações brasileiras

Total de vendas brasileiras ao país vêm crescendo abaixo da média desde 2003.

Denize Bacoccina, BBC

02 de janeiro de 2008 | 17h30

O mercado americano ainda é o principal destino das exportações brasileiras, mas a participação dos Estados Unidos no total das vendas externas vem caindo desde 2003. Em 2007, essa fatia deve cair para 15,8% (os dados finais do ano ainda não estão disponíveis) - em 2006, era 18% e, em 2002, representava 25,7%.A redução proporcional das vendas para os Estados Unidos é considerada positiva pelo governo, já que significa uma diversificação dos destinos das exportações e uma menor dependência do mercado americano.Mas os críticos dizem que o governo investe pouco na promoção das exportações brasileiras ao maior mercado do mundo, e que as exportações para os países em desenvolvimento deveriam ser incentivadas mas não se tornar a prioridade do Brasil.Em valores absolutos, as vendas para os Estados Unidos vêm crescendo constantemente, mas desde 2003 vêm crescendo abaixo da média brasileira.Em 2007, os dados acumulados até novembro mostram um crescimento de 16,6% no total de exportações em relação ao ano anterior, enquanto as vendas para o mercado americano aumentaram apenas 1,3% no mesmo período.Até novembro, o Brasil havia exportado US$ 23,08 bilhões para os Estados Unidos. No ano passado, somaram US$ 22,8 bilhões até novembro e US$ 24,7 bilhões em todo o ano.O intercâmbio comercial entre os dois países somou US$ 40,4 bilhões neste período. Caiu também nos últimos anos a fatia dos Estados Unidos nas importações brasileiras, de 23,5% em 2001 para 16,2% em 2007."A China cresceu muito e ocupou o espaço de outros exportadores. A maioria dos países perdeu participação para a China", diz o diretor-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho.Além disso, ele lembra que embora a pauta de exportações brasileiras seja diversificada, as exportações para os Estados Unidos se concentram em produtos manufaturados (cerca de 80%), setor que sofre maior concorrência internacional.América LatinaAo mesmo tempo que diminuiu a importância dos Estados Unidos para os exportadores brasileiros, aumentou a importância da América Latina, que hoje importa mais do Brasil do que os Estados Unidos.A mudança é motivo de orgulho para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já repetiu o dado em vários discuros. "A América do Sul já é, para o Brasil, um parceiro comercial maior do que os Estados Unidos", afirmou o presidente durante a visita a La Paz, na Bolívia, no dia 16 de dezembro."A diversificação tem sido importante para sustentar o crescimento das exportações", diz Ramalho.O embaixador Rubens Barbosa, embaixador em Washington entre 1999 e 2004 e atualmente presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), considera um erro investir na América Latina como prioridade."A América Latina deveria ser um mercado complementar, não prioritário. O Brasil não deveria deixar de lado o maior mercado consumidor do mundo", afirma.Ele diz que mesmo com as barreiras aos produtos brasileiros há nichos de mercado que deveriam ser identificados pelo governo e poderiam ser aproveitados pelas empresas brasileiras."Falta uma política mais agressiva por parte do governo brasileiro para estimular os exportadores a ocupar nichos de mercado", diz Barbosa.O embaixador Robert Abdenur, que sucedeu Barbosa e representou o Brasil em Washington até 2007, também critica a política comercial para os Estados Unidos. Abdenur diz que faltam recursos para investir na promoção comercial."Há falta de empenho em explorar um mercado gigantesco como o americano", afirma. Ele lembra que, quando era embaixador nos Estados Unidos, a maioria dos oito consulados brasileiros não tinha área de promoção comercial.Se diminuiu a importância dos Estados Unidos para o Brasil, a parcela ocupada pelos produtos brasileiros nas importações americanos tem se mantido estável em 1,4% desde 2003."A diversificação das exportações brasileiras é uma coisa, o problema é a estagnação da participação brasileira nos Estados Unidos", diz Abdenur.O diretor-executivo do Ministério do Desenvolvimento diz que o governo está investindo em ações para promover as exportações brasileiras. "Muitas das nossas exportações poderiam ter crescido mais se não fosse a concorrência do produto chinês', afirma.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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