EUA indicam que aceitarão tratado mundial antitabagista

Em uma radical mudança de opinião, os Estados Unidos indicaram hoje que aceitarão um tratado mundial antitabagista, segundo orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS). A aprovação do acordo que já dura quatro anos só em negociações é uma das principais vedetes da 192ª Assembléia Anual da OMS, que começará oficialmente amanhã. Ministros e secretários de saúde de todo o mundo vão discutir ainda a epidemia da Sars e a criação de novas normas para lidar com as doenças infecciosas e a ameaça do bioterrorismo. "Eu vou endossá-lo (o tratado), o que deve surpreender a muitos", disse o secretário de Saúde dos Estados Unidos, Tommy Thompson. Os americanos e alemães vinham se opondo à cláusula para banir a propaganda de cigarros, alegando que ela é contra as garantias constitucionais da liberdade de expressão. Hoje, Thompson afirmou que endossará o texto proposto pela OMS. "Não vamos fazer qualquer alteração. Não temos reservas. Nossa delegação, chefiada por mim, defende o tratado antitabagista." A mudança no discurso, por enquanto, é apenas um sinal e não indica que os Estados Unidos vão levar adiante o cumprimento do tratado. O presidente George W. Bush, no momento mais preocupado com outras questões como a do Iraque e da economia americana, não teve tempo ainda de rever o texto da convenção antitabagista com seus advogados. Os 192 Estados membros da OMS foram convidados a aprovar e assinar na próxima quarta-feira o primeiro convênio internacional antitabagista. O documento, cuja redação foi finalizada em 1º de março e aprovada por 171 países, inclui uma série de medidas radicais, como as proibições da publicidade, da promoção e do patrocínio de cigarros e venda de cigarros para os menores de idade. O vício do cigarro mata, todos os anos, 4,9 milhões de pessoas e poderá alcançar os 10 milhões em 2020, segundo a OMS. A União Européia concordou, na quinta-feira, a ratificar o tratado antitabagista. Mas a Alemanha, que tem um poderoso lobby da indústria do cigarro, se permitiu a excluir uma cláusula para banir ou restringir a publicidade.

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