''Eu tinha de ficar em paz com a minha consciência'', afirma Arns

ENTREVISTA - Flávio Arns: senador (PT-PR)

Marcelo de Moraes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2009 | 00h00

O senador Flávio Arns (PT-PR) não é fundador do PT e já foi até filiado ao PSDB. Mas sua decisão de deixar o partido, após o arquivamento das representações e denúncias contra José Sarney, provocou um estrago político de grandes proporções. Sobrinho de d. Paulo Evaristo Arns, ligado à educação e aos movimentos sociais, ele rejeita com veemência a posição do PT. "Eu tinha de ficar em paz com a minha consciência", diz.O sr. vai deixar o partido?Este é um momento emblemático para o País. Então, as pessoas têm de ter posicionamentos muito claros, sintonizados com a sociedade, a favor de bandeiras históricas, de investigação, de transparência, de construção de padrões éticos. Nesse sentido, não há como ficar. Seja através do voto orientado pela presidência do partido e certamente orientado pelo Palácio do Planalto, o PT votou pelo arquivamento dos processos contra o senador Sarney, quando a bancada tinha tomado uma posição exatamente contrária. Está na contramão de tudo aquilo que vem sendo discutido e não há como permanecer. Minha decisão é pela saída do partido.Qual será seu procedimento a partir de agora?Eu quero até estudar a possibilidade de fazer isso por via judicial, porque não é um caso de infidelidade ao partido. Parece muito claro para mim que é um caso de infidelidade do partido ao seu programa. É bem diferente.O sr. teme perder o mandato de senador por deixar o PT?O meu mandato de senador, neste momento, é algo secundário. Se eu perder o meu mandato, mas tiver feito a coisa correta, não tenho nenhum problema. Eu tenho de estar em paz com a minha consciência. O que aconteceu ontem ultrapassou todos os limites do que a sociedade pode aceitar.Não é a primeira vez que o senhor se sente insatisfeito no PT... É um momento muito especial na vida do Brasil. Em outras situações havia problemas, mas se procurou, dentro do contexto partidário, fazer o debate, procurar caminhos. Agora, neste momento, não. Agora é emblemático. É uma instituição que está em jogo. São comportamentos, não só do partido, mas da sociedade.

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