'Eu sou candidato. Serra nunca disse que é'

Sérgio Guerra diz que lista de apoio para presidência do PSDB foi movimento natural da bancada

Christiane Samarco, de O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2011 | 20h31

BRASÍLIA - Acusado de tomar uma "atitude indigna", ao estimular uma lista de apoios de tucanos para reelegê-lo presidente do PSDB, o deputado eleito Sérgio Guerra (PE) afirma que não houve conspiração nem contestação a quem quer que seja no movimento da bancada da Câmara. Decidido a manter sua candidatura à presidência do partido, Guerra argumenta que sua indicação foi determinada pela naturalidade da escolha e sustenta a tese de que a bancada tem autonomia para tomar esta decisão.

 

O deputado Jutahy Magalhães, ligado a Serra, referiu-se ao abaixo assinado em favor de sua reeleição como atitude "indigna".

Não houve conspiração nem contestação a ninguém. Me candidatar a presidente e ser indicado por uma bancada significa traição? Não tem nada a ver. Por que não posso ser candidato a presidente? Por que não posso ser indicado pela bancada? O que todos desejamos é democracia interna. Não queremos ver o PSDB em uma polêmica precipitada e indesejada, pela qual já pagamos elevado preço.

 

 

É uma referência à disputa entre os grupos de Serra e Aécio que o PSDB não quer reeditar em 2014?

Estamos decididos a deletar esta questão de alas para o PSDB poder avançar. Precisamos de mineiros e paulistas para eleger o próximo presidente, e grupos são algo que, definitivamente, o conjunto do partido não quer.

 

Mas com sua indicação para a presidência e a do senador Tasso Jereissati (CE) para o Instituto Teotônio Vilela (ITV) o ex-governador não vai ficar sem espaço no partido?

De jeito nenhum. Eu fiz a campanha do Serra para presidente e o Tasso trabalhou por ele no Ceará com muita intensidade. Essas escolhas não são contra ninguém; são a favor do partido e da oposição brasileira.

 

Mas isto não deixa Serra sem espaço para trabalhar uma eventual recandidatura a presidente em 2014?

José Serra não foi candidato com nosso apoio entusiasmado em função de espaço no partido, mas porque era o candidato que representava maiores condições de vitória. Todos estimamos nossos líderes e os consideramos competentes. Em uma eventual candidatura de qualquer um deles no futuro, o que o partido vai querer é que o escolhido seja competitivo e que possa vencer a eleição. Foi assim em 2010.

 

 

Se o Serra quiser presidir o partido o senhor abre mão da candidatura?

Eu sou candidato. O Serra até agora nunca disse que o é. Ao contrário, até pediu que eu me candidatasse à reeleição e fizesse minha campanha. Eu não estou aí para fomentar briga com ninguém. Sobre Serra, repito o que já disse: Ele pode ser o que quiser no partido, até porque até ontem eu estava na rua defendendo o nome dele para presidente da República. As bancadas da Câmara e do Senado fizeram indicações sem consulta prévia porque têm autonomia para isto e querem ter protagonismo nas decisões do partido.

 

 

Mas o abaixo-assinado da bancada a seu favor sacramenta seu nome na presidência do PSDB a partir de maio?

Claro que não. A lista apenas indica que meu nome seria a escolha natural do partido.

 

 

O senhor consultou os governadores sobre a lista de apoios para mantê-lo no comando do PSDB?

Não consultei ninguém. Informei ao doutor Geraldo que havia este movimento e ele ponderou a questão da oportunidade. Com outros governadores e outras lideranças, falei depois.

 

 

Falou com Serra depois do abaixo-assinado?

Não o procurei, nem ele me procurou. Mas também não falei com Aécio, nem antes, nem depois.

 

 

Tem fila para candidato a presidente no PSDB?

As circunstâncias futuras dirão quem será o melhor candidato do partido em 2014. Olhando para frente, só vejo que é preciso fazer uma grande mudança na forma de o partido funcionar. Não foi só Aécio quem falou nisso. Muitos líderes defenderam esta tese, inclusive o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

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