EFE/YIDAR RUUD
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'Reconheço que há uma crise política evidente', diz Temer, na Noruega

Juiz rejeitou na terça-feira, 20, a queixa-crime que Temer moveu contra o empresário e delator Joesley Batista, sob a alegação de difamação, calúnia e injúria; presidente promete entrar com recurso

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2017 | 16h56

OSLO – O presidente Michel Temer reconheceu que o Brasil vive uma “crise política” e disse que irá recorrer da decisão do juiz de não aceitar sua queixa-crime contra o empresário Joesley Batista. 

“Eu reconheço que há uma crise política evidente”, disse Temer, em viagem a Oslo. “E que eu estou tomando as providências mais variadas para defender os aspectos, primeiro institucionais da presidência, mas também morais”, afirmou. 

O juiz Marcos Vinícius Reis, da 12.ª Vara Federal de Brasília, rejeitou na terça-feira, 20, a queixa-crime que o Temer havia apresentado contra o empresário e delator Joesley Batista na segunda-feira, 19, sob a alegação de difamação, calúnia e injúria. 

Essa foi uma das duas ações movidas pelo presidente contra o dono do Grupo J&F depois de entrevista de Joesley à revista Época no fim de semana apontar Temer como chefe de quadrilha — a outra foi na Tribunal de Justiça do Distrito Federal e é por danos morais. Para a defesa do peemedebista, o executivo agiu por “ódio” para prejudicar Temer e “se salvar dos seus crimes”.

“O cidadão que faz as acusações que faz, eu estou propondo ações competentes, pelo judiciário”, disse Temer. 

Sobre a recusa do juiz em aceitar sua queixa, Temer deixou claro que vai recorrer. “Foi recusado, mas vai haver recurso”, disse. “O que juiz disse é que, se você ofender alguém, isso é liberdade de expressão. Se for assim, e eu não vou fazer isso com ninguém, mas se eu quisesse fazer o que ele acabou dizendo, eu poderia dizer as maiores barbaridades das pessoas da família de alguém e dizer que é liberdade de expressão e que não se pode fazer nada”, afirmou. “Essas questões se resolvem no plano jurídico e vai ao Judiciário”, completou. 

Apesar de reconhecer a existência da crise, Temer garante que ela não afeta a economia. “É interessante, a crise politica não está invalidando a economia”, disse. “Podem pegar os dados, de emprego em maio, no mês anterior foram 60 mil vagas”, completou. 

'Elegantíssimo'. O presidente, ao falar com o Estado no saguão de seu hotel na Noruega, ainda insistiu em defender sua viagem para a Rússia e Noruega. “Foi um sucesso absoluto”, disse. “Primeiro, pelos acordos que assinamos com a Rússia e, em segundo lugar, pelo tratamento que me foi dispensado. Putin teve a delicadeza de ir ao Teatro Bolshoi, sabedor de que eu iria ao Bolshoi. O cerimonial até me indicou uma coisa curiosa. Ele me colocou à direita, um lugar que normalmente é ele quem ocupa. Veja o tamanho da delicadeza”, cometou Temer.

“Mas o que me chamou a atenção é que Putin, obviamente com as obrigações milhares que ele tem, ficou quatro horas e vinte minutos comigo. Uma hora e meia comigo, na conversa individual. Tratamos dos mais variados assuntos. E ele revelando um interesse muito grande da Rússia pela Norte-Sul, pela questão da energia. Tocou na Venezuela e eu fiz algumas considerações. Foi uma longa conversa”, disse o presidente. 

“Depois, ele ofereceu um almoço. E que foi algo finíssimo, algo elegantíssimo”, insistiu. 

Temer contou que Putin comprou nos EUA cartas que o Imperador Dom Pedro II havia enviado ao Czar da Rússia. “Ele mandou enquadrar e vou colocar no Museu Nacional. Algo preciosíssimo. Veja a delicadeza dele”, disse o brasileiro. 

“Quando a delegação estava saindo, ele ainda me convidou para visitar as salas especiais do Kremlin, com um guia. Mas ele ia me indicando. Teve uma delicadeza extraordinária. Em resumo, um tratamento especialismo que me deu. Segundo, o objetivo central de investimentos russos”, completou.

Sobre a parada de sua comitiva na Noruega, Temer destacou que a reunião desta quinta-feira ocorreu “com o PIB da Noruega”, numa referência ao peso das empresas que estavam presentes. “Eles revelaram um interesse extraordinário”, disse. Nesta sexta-feira, ele ainda estará com a primeira-ministra do país e com o monarca. “O rei poderia me atender em meia hora e fez questão de me dar um almoço. Já soube que ele está chamando o príncipe”, completou.

 

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