''Eu quero é mais royalties'', diz prefeito de Campos

O descontrole na contratação de pessoal com verba dos royalties não pode servir de argumento para rever direitos das cidades onde há exploração de petróleo. É o que defenderá o prefeito de Campos dos Goytacazes, Roberto Henriques (PMDB), na 11ª Marcha em Defesa dos Municípios. Ele foi à direção da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) para pedir que os colegas defendam a manutenção de direitos de cidades como Campos - que recebe a maior fatia individual e tem Orçamento projetado de R$ 1,3 bilhão."Eu quero é mais royalties. Campos ainda recebe pouco. O problema não é o quanto recebemos, mas a moralização da administração pública. O que temos de corrigir não é a concentração de royalties nas cidades onde exploram petróleo, mas a má administração dos recursos", argumenta Henriques, que assumiu o posto há um mês, depois que o antecessor, Alexandre Mocaiber (PSB), foi afastado por irregularidades na contratação de 16 mil terceirizados.O Estado e os municípios do Rio receberam, de 1998 a dezembro de 2007, quase R$ 35 bilhões por royalties e participações especiais sobre a produção petrolífera da Bacia de Campos, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Cidade no norte fluminense recordista em contratações irregulares, Campos foi a cidade que mais recebeu participações especiais: R$ 1,9 bilhão.O valor corresponde a mais da metade dos R$ 3,7 bilhões pagos a dez municípios fluminenses. Apesar disso, Campos, berço político do ex-governador Anthony Garotinho (PMDB), é uma das cidades mais pobres do Rio, amargando outros índices sociais ruins, como 40% de moradores com menos de quatro anos de estudo ou analfabetos.De 1998 a 2007, royalties e participações especiais renderam ao Rio R$ 34,2 bilhões. Em royalties, foram R$ 8,2 bilhões para o Estado e R$ 7,1 bilhões para as cidades. Com participações especiais, R$ 15,052 bilhões para o Estado e R$ 3,763 bilhões para os municípios de Armação dos Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Campos, Carapebus, Casimiro de Abreu, Macaé, Quissamã, Rio das Ostras e São João da Barra.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.