"Eu proíbo que falem em herança maldita", avisa Arthur Virgílio

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), desafiou o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), a apurar o processo de privatização da Eletropaulo, alvo de críticas do petista durante o governo anterior. Segundo Mercadante, o BNDES emprestou dinheiro à americana AES, mas não recebeu o total US$ 1,2 bilhão devido ao banco. "Se há ilegalidade que se apure, mas eu proíbo, a partir de hoje, que falem em herança maldita", disse o tucano, referindo-se ao jargão utilizado pelos parlamentares governistas para qualificar o governo de Fernando Henrique. Virgílio e Mercadante bateram boca hoje por quase uma hora, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.Virgílio também desafiou o líder governista a declarar que o Palácio do Planalto pretende reduzir a presença de ministros no Congresso. "Se for essa a orientação a partir de agora, vamos deixar isso claro", disse o tucano, que ameaçou aprofundar a ação oposicionista. Mercadante chegou a afirmar que o ex-presidente do BNDES, Pio Borges, depois de presidir o banco durante a privatização da Eletropaulo, passou a trabalhar para a AES a empresa que comprara a usina. Era a resposta à crítica de Virgílio ao atual presidente, Carlos Lessa. "É um economista superado e vou dizer isso a ele", afirmou o líder tucano, ao discutir o requerimento para sua convocação à comissão. Arthur Virgílio chegou a bradar e gesticular, acusando a Mesa Diretora do Senado de estar "trancando" os seus requerimentos para convocação de autoridades do governo.Mercadante negou que o governo pretenda impedir o comparecimento de ministros ao Congresso. Atribui a irritação do líder do PSDB ao não-comparecimento do ministro do Trabalho, Jaques Wagner, à Comissão de Assuntos Sociais (CAS), presidida pelatucana Lúcia Vânia (GO), para falar do Programa Primeiro Emprego. "Era a estréia da senadora como presidente da comissão", reclamou o senador amazonense. Mercadante afirma que foi apenas um problema de agenda e que não há nenhuma orientação para restringir a presença dos ministros. Arthur Virgílio reclama que os senadores petistas ameaçam e acusam, mas não tomam medidas concretas para investigar. "Que venham com a CPI do Banestado", disse, referindo-se à proposta de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar supostas irregularidades na remessa de divisas ao exterior pelo Banestado. A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) está recolhendoassinaturas para investigar o caso que, segundo o Ministério Público do Paraná, envolveria a remessa de US$ 30 bilhões ao exterior."Chega de negaças", afirmou o líder tucano. "Se persistirem nessa estratégia de ameaças e de críticas pelos quatro anos (de governo), vão ter problemas terríveis". "Já ajudamos até a limpar a pauta do Senado, mas isso pode mudar", sentenciou.ResultadoDepois de quase uma hora de bate-boca, a disputa entre os dois terminou com um festival de convocações. Apesar das ponderações do presidente da comissão, Ramez Tebet (PMDB-MS), para que fosse reduzido o número de pedidos de convocações de ministros para audiências públicas, o líder tucano e até mesmo os senadores da base aliada mantiveram os requerimentos. Pelos requerimentos aprovados, os ministros da Fazenda, Antônio Palocci, de Minas e Energia, Dilma Roussef, do Meio Ambiente, Marina Silva, e da Agricultura, Roberto Rodrigues, terão que comparecer, cada um, pelo menos duas vezes à comissão. Dilma Roussef já tem, inclusive uma audiência pública marcada para a próxima terça-feira. Também serão chamados os ministros do Planejamento, Guido Mantega; de Cidades, Olívio Dutra; e da Integração Nacional, Ciro Gomes, que já esteve na mesma comissão na semana passada. Para convocar o presidente do BNDES, Carlos Lessa, foram aprovados três requerimentos, fazendo com que ele compareça pelo menos duasvezes à comissão. Foram chamados também os representantes brasileiros do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco Mundial (Bird), além dos presidentes da Cemig e da Eletropaulo. Foi ainda aprovado um convite aos governadores do Pará, Simão Jatene, e de Minas Gerais, Aécio Neves, para que compareçam à comissão para falar de reforma tributária.

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