Pablo Valadares/AE
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‘Eu nunca joguei a toalha na minha vida’, afirma José Genoino

Depois de passar por um exame de cateterismo, ex-presidente do PT recebe visitas e diz ‘confiar na Justiça’

Vera Rosa, de O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2012 | 22h30

À espera de sua sentença, o ex-presidente do PT José Genoino ainda tem esperança de ser absolvido pelo Supremo Tribunal Federal no processo do mensalão. "Eu não joguei a toalha. Nunca joguei a toalha na minha vida", diz Genoino, obrigado a parar de fumar depois do cateterismo feito na terça-feira, 18, no Instituto do Coração (Incor).

O exame das artérias coronárias foi considerado normal para a idade de Genoino, que tem 66 anos e é fumante há mais de 40. Mesmo assim, ele ainda terá de tomar medicamento para pressão alta por muito tempo. Os amigos do político que foi um dos mais expressivos deputados federais do PT e hoje é assessor do Ministério da Defesa estão preocupados com o seu destino, mas ele garante que não entregou os pontos.

"Sou inocente e não cometi nenhum crime. Fui só presidente do PT", afirma Genoino. Na Ação Penal 470, nome técnico do processo do mensalão, a Procuradoria-Geral da República sustenta que o mensalão foi abastecido com R$ 55 milhões, que se somaram a R$ 74 milhões desviados da Visanet, fundo que tinha dinheiro público e era controlado pelo Banco do Brasil.

O empresário Marcos Valério , acusado de ser o pivô financeiro do esquema de compra de votos no Congresso, no governo Lula, disse que fez empréstimos nos bancos Rural e BMG e os repassou ao PT. Para a procuradoria, os empréstimos foram fajutos e Genoino virou réu por corrupção ativa e formação de quadrilha.

"Eu nunca cuidei das finanças do PT e apresentei contraprova. Meu patrimônio é o mesmo há 30 anos. Confio na Justiça", afirma Genoino. Com uma das pernas imobilizada por causa do cateterismo, o ex-presidente do PT passou a quarta-feira, 19, reunido com a família. Recebeu visitas e muitos telefonemas, entre eles o da presidente Dilma Rousseff. Ela torce por sua absolvição, mas não fala sobre o julgamento para não parecer que está interferindo em outro poder.

Ex-guerrilheiro, Genoino está relendo Mata!, do jornalista Leonencio Nossa, repórter do Estado. O livro trata dos movimentos guerrilheiros na região do Araguaia nos últimos 200 anos e conta como foi a prisão de Genoino, em abril de 1972. "Fui para a guerrilha do Araguaia, coloquei minha vida em risco e fiquei cinco anos preso. As únicas coisas que tenho na vida são sonhos, ideias e causas", diz ele.

Para o ex-presidente do PT, a crise política que atingiu o governo Lula e dizimou a cúpula do partido, em 2005, foi como o Ato Institucional n.º 5 (AI-5), de 1968, que marcou o período mais duro da ditadura militar (1964-1985).

Deputado por 24 anos, Genoino não foi reeleito em 2010, mas é suplente. Pode entrar na vaga de João Paulo Cunha – condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato –, caso seja absolvido pelo Supremo e o colega perca o mandato na Câmara. Hoje, porém, garante que só está preocupado com a saúde e com sua defesa.

"Estou de cabeça erguida. Não vou me deixar abater", insiste. Além de Mata!, Genoino está lendo Vida e Destino, de Vassili Grossman, que retrata um tempo de horror e de esperança, nos anos da Segunda Guerra Mundial.

Aos amigos que o visitam, ele repete que não pode aceitar a denúncia de corrupção ativa e formação de quadrilha. Os argumentos de Genoino são os mesmos desde que ocupou o plenário da Câmara, em 2007, para se defender. "Participei, sim, de acordos políticos e alianças eleitorais, mas jamais recebi benefício pessoal nem ofereci qualquer vantagem a ninguém", insiste o homem que só aceitou dirigir o PT, de 2003 a 2005, a pedido do ex-presidente Lula.

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