'Eu nunca joguei a toalha na minha vida?, afirma Genoino

À espera de sua sentença, o ex-presidente do PT José Genoino ainda tem esperança de ser absolvido pelo Supremo Tribunal Federal no processo do mensalão. "Eu não joguei a toalha. Nunca joguei a toalha na minha vida", diz Genoino, obrigado a parar de fumar depois do cateterismo feito na última terça-feira (18), no Instituto do Coração (Incor).

VERA ROSA, Agência Estado

20 de setembro de 2012 | 08h46

O exame das artérias coronárias foi considerado normal para a idade de Genoino, que tem 66 anos e é fumante há mais de 40. Mesmo assim, ele ainda terá de tomar medicamento para pressão alta. Os amigos do político, que foi um dos mais expressivos deputados federais do PT e hoje é assessor do Ministério da Defesa, estão preocupados com o seu destino, mas ele garante que não entregou os pontos. "Sou inocente e não cometi nenhum crime. Fui só presidente do PT", afirma Genoino.

Na Ação Penal 470, nome técnico do processo do mensalão, a Procuradoria-Geral da República sustenta que o mensalão foi abastecido com R$ 55 milhões, que se somaram a R$ 74 milhões desviados da Visanet, fundo que tinha dinheiro público e era controlado pelo Banco do Brasil.

Fajutos

O empresário Marcos Valério , acusado de ser o pivô financeiro do esquema de compra de votos no Congresso, no governo Lula, disse que fez empréstimos nos bancos Rural e BMG e os repassou ao PT. Para a procuradoria, os empréstimos foram fajutos e Genoino virou réu por corrupção ativa e formação de quadrilha.

"Eu nunca cuidei das finanças do PT e apresentei contraprova. Meu patrimônio é o mesmo há 30 anos. Confio na Justiça", afirma Genoino. Com uma das pernas imobilizada por causa do cateterismo, o ex-presidente do PT passou esta quarta-feira (19) reunido com a família. Recebeu visitas e muitos telefonemas, entre eles o da presidente Dilma Rousseff. Ela torce por sua absolvição, mas não fala sobre o julgamento para não parecer que está interferindo em outro poder.

Para o ex-presidente do PT, a crise política que atingiu o governo Lula e dizimou a cúpula do partido, em 2005, foi como o Ato Institucional n.º 5 (AI-5), de 1968, que marcou o período mais duro da ditadura militar (1964-1985).

Deputado por 24 anos, Genoino não foi reeleito em 2010, mas é suplente. Pode entrar na vaga de João Paulo Cunha - condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato -, caso seja absolvido pelo Supremo e o colega perca o mandato na Câmara. Hoje, porém, garante que só está preocupado com a saúde e com sua defesa. "Estou de cabeça erguida. Não vou me deixar abater", insiste.

Aos amigos que o visitam, ele repete que não pode aceitar a denúncia de corrupção ativa e formação de quadrilha. Os argumentos de Genoino são os mesmos desde que ocupou o plenário da Câmara, em 2007, para se defender. "Participei, sim, de acordos políticos e alianças eleitorais, mas jamais recebi benefício pessoal nem ofereci qualquer vantagem a ninguém", insiste o homem que só aceitou dirigir o PT, de 2003 a 2005, a pedido do ex-presidente Lula. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

Tudo o que sabemos sobre:
mensalãojulgamentoGenoino

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.