''Eu não vou enfrentar o presidente'', diz Emídio

Emídio de Souza: prefeito de Osasco; Sem descartar plano de disputar governo de SP, prefeito afirma que PT deve aceitar Ciro se ele ajudar a eleger Dilma

Entrevista com

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

24 de julho de 2009 | 00h00

Sem abandonar o sonho de ser candidato ao governo de São Paulo, o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, não vai bater o pé pela indicação do PT se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disser a ele que o melhor é apoiar o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), em 2010. Embora afirme que é preciso julgar "a conveniência e a oportunidade" do aval a Ciro para a sucessão do governador José Serra (PSDB), Emídio destaca que a continuidade do projeto petista no Planalto está em primeiro lugar."Eu não vou enfrentar Lula", diz ele. "Se a candidatura Ciro for fundamental para a eleição de Dilma, temos de aceitar", emenda, numa referência à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência.No segundo mandato como prefeito de Osasco, Emídio constata que "Lula é pragmático" e sabe onde o calo aperta. "Seria irresponsabilidade nossa escolher o candidato em São Paulo de costas para o cenário nacional". Discreto, o prefeito esteve na quarta-feira à noite em Brasília e conversou com auxiliares do presidente sobre o jogo do PT em São Paulo, onde o partido perdeu o apoio do PMDB. O sr. gostaria de ser candidato do PT ao governo de São Paulo?Meu nome está à disposição do PT para disputar a eleição com os tucanos, defender o governo do presidente Lula e renovar a política de São Paulo.Mas o presidente não parece muito entusiasmado com a candidatura própria. O sr. sente que seu nome é vetado por Lula?De forma alguma. Temos de considerar que o mais importante é a estratégia para a candidatura da ministra Dilma (Rousseff) à Presidência, em 2010. Eu não vou contrariar nem enfrentar o presidente Lula. Quero ajudá-lo.O que o sr. acha da tentativa do presidente de fazer o PT desistir da candidatura em São Paulo para apoiar o deputado Ciro Gomes?Lula está tentando montar os palanques estaduais com os partidos que dão sustentação ao governo. Ciro é peça importante nesse tabuleiro e eu o respeito pelos serviços prestados ao País. Ele tem estatura política e faz campanha contra Serra (governador de São Paulo, José Serra). O que precisamos avaliar é a conveniência dessa candidatura agora. É oportuna nesse momento? Se a candidatura Ciro for fundamental para a eleição de Dilma, temos de aceitar.E o que o sr. acha? É oportuna?É preciso uma sondagem aos outros partidos. Não sei como a opinião pública receberia. Mas a alternativa Ciro sofre forte resistência no PT.É natural que um partido com a força do PT tenha o desejo de lançar candidato próprio. Mas Lula é pragmático: sabe dos problemas que tem pela frente e onde o calo aperta. Ele é o condutor desse processo.O PT precisa apoiar candidato de outro partido para ultrapassar a barreira dos 30% das intenções de voto em São Paulo?Não. O PT tem preparo não só para manter esse patamar como para conquistar votos da classe média. Mas seria irresponsabilidade nossa escolher o candidato em São Paulo de costas para o cenário nacional.O PMDB virou as costas para o PT em São Paulo. O sr. acredita ser possível reverter esse quadro?Acredito e vou insistir nessa aliança. O PT apoiou Michel Temer na eleição para a presidência da Câmara e o vice de Dilma pode sair do PMDB de São Paulo ou de Minas Gerais. Dizem que o sr. não é conhecido para ser candidato ao governo. Esse comentário é aceitável para um partido que pretende lançar à Presidência a ministra Dilma, que nunca disputou uma eleição?É verdadeiro, mas não impeditivo. O maior adversário de um candidato são os problemas que ele carrega. Se tudo do que me acusam é o desconhecimento, podem ter certeza de que podemos superar isso.

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