''''Eu não posso provar o que disse'''', argumenta Buratti

Empresário diz que foi ele próprio que decidiu fazer retratação em cartório

Fausto Macedo e Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2008 | 00h00

O empresário Rogério Buratti, que passou de algoz a aliado do deputado e ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP), afirmou ontem que foi ele próprio que decidiu fazer uma escritura de declaração, registrada em cartório, inocentando seu ex-chefe na Prefeitura de Ribeirão Preto. "Não procurei ninguém. É uma coisa minha", garantiu. O empresário afirmou ainda que não fala com Palocci desde agosto de 2005.Segundo ele, o documento - que virou peça crucial da defesa de Palocci e está sendo enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) - foi feito para reparar algo que não pode provar. "Eu não posso provar o que eu disse sobre os R$ 50 mil. É uma história que passa por uma pessoa que está morta. Não vou manter isso", afirmou ao Estado, referindo-se a Ralf Barquete, que foi secretário de Fazenda da prefeitura.Morando em Belo Horizonte, onde montou uma confecção, o empresário diz que tenta "reconstruir sua vida" longe das esferas do poder - por onde transitou a maior parte de sua carreira. Ele assegurou ainda que está afastado desde 2005 das pessoas que integravam a república de Ribeirão. Foi enfático ao negar que tenha tido orientação para retratar-se das acusações feitas ao deputado petista.No documento registrado no cartório, que ficou oculto por sete meses, Buratti declara categoricamente: "São inverídicas as condutas atribuídas ao ex-ministro Antonio Palocci Filho." Mais: "Não é verdade que a Leão & Leão deu uma contribuição mensal, no valor de R$ 50.000, ao prefeito Antonio Palocci ou ao falecido secretário da Fazenda Ralf Barquete, para que o dinheiro fosse repassado ao Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores." BOMBAA retratação caiu como uma bomba para o Ministério Público, que tenta imputar ao ex-ministro da Fazenda do governo Lula a responsabilidade por suposto esquema de arrecadação de um "mensalinho" para os cofres do PT durante seu governo em Ribeirão Preto, por meio de fraudes no contrato de limpeza urbana com Leão & Leão. A palavra do empresário, que foi amigo e secretário de Governo na primeira gestão de Palocci em Ribeirão (1993-1996), constituía a peça-chave dos promotores nessa acusação. DELAÇÃOCiente de que seu depoimento - feito sob o acordo de delação premiada que lhe garantiu a liberdade - é a única prova que a promotoria tem contra Palocci no caso, Buratti afirmou que não vai carregar essa responsabilidade. "Fato é o que se prova, e isso não é algo comprovado", justificou. Sob o risco de ser reconvocado para prestar depoimento, ele disse saber que parte das informações que deu em 2005 foi comprovada pelas investigações. Sustentou que está tranqüilo. "Um dia quero poder contar a história desde o começo."

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