'Eu não acho que não errei, sou humana, posso ter cometido vários erros', afirma Dilma

'Eu não acho que não errei, sou humana, posso ter cometido vários erros', afirma Dilma

Em entrevista a programa de TV presidente fala sobre acusações da oposição e sobre criticas que vem recebendo no segundo mandato

Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

12 de agosto de 2015 | 21h47

São Paulo - A presidente Dilma Rousseff admitiu nesta quarta-feira, 12, que é passível de erros. "Não acho que não errei não, acho que sou completa, inteiramente humana. Posso ter cometido vários erros. Mas os erros não são esses que eles falam", disse em relação aos erros apontados pela oposição. Em entrevista ao SBT Brasil, Dilma disse que deveria ter se "esforçado ainda mais para garantir que o Brasil não tivesse tantas amarras para investir", referiu-se em especial às "amarras" para investimentos em infraestrutura. "Podia ter me empenhado para fazer mais coisas, sempre você pode se empenhar mais", completou.

Perguntada sobre as acusações da oposição de que ela teria cometido estelionato eleitoral, Dilma disse ter mudado de postura, mas negou terem sido mentiras. "Tive coragem de mesmo me comprometendo em não fazer (o ajuste fiscal), de mudar", afirmou a presidente. Dilma alegou que a população "pode até entender como uma quebra" a sua mudança, mas que espera que o entendimento seja outro, pois o Brasil hoje é mais "resiliente", "robusto" e "estável" do que foi no passado

"As condições, quando iniciamos a campanha, o Brasil eram uma e hoje o Brasil é outro. Durante a campanha, houve uma mudança do cenário econômico do Brasil e do mundo que ninguém esperava", disse, na linha de colocar a crise econômica brasileira em um contexto global. Dilma afirmou que, principalmente a partir de agosto, aconteceu o "início do fim do ciclo das commodities", com grande impacto sobre os emergentes.

Ainda sobre as discussões de que o ajuste deveria ter sido feito antes, Dilma relativizou. "A coisa mais difícil de você fazer é medir 'e se não tivéssemos feito isso'."

Relação com o Congresso. Dilma também admitiu, ainda que rapidamente, que pode ter errado na relação com o Congresso Nacional, mas fez um discurso de aproximação. Ela disse que não teve "um Congresso ruim", do início do primeiro mandato para cá. "Posso ter cometido qualquer coisa não 'tão precisa' com o Congresso, mas quero falar uma coisa. Não posso dizer que o Congresso que eu tive nos últimos anos foi ruim, muito pelo contrário", afirmou.

A presidente afirmou ser a primeira mandatária que teve vetos analisados pelo Congresso, mas destacou que de cerca de 3 mil vetos seus avaliados pelos parlamentares, apenas um foi derrubado. "Isso mostra um Congresso extremamente cooperativo", defendeu. E lembrou que os presidentes que a antecederam, Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso não tiveram vetos avaliados.

Dilma disse que "essa rebelião" de que se fala no Congresso Nacional será vista de forma diferente daqui pra frente. Com uma sequência de negativas na construção de frase, Dilma disse que a Câmara tem um histórico de "responsabilidade com o País" e que, por isso, não acredita que as chamadas "pautas- bomba" - que impactam o orçamento da União - devam "proliferar". "Não acho que a Câmara não tem responsabilidade perante o País", afirmou. E destacou ser importante, neste momento, evitar uma crise política que comprometa a recuperação da economia.

A petista disse em vez de "desmontar a bomba (fiscal)" preferir a construção de que é necessário aumentar a "consciência e responsabilidade em relação ao País", de todos os setores, do poder Executivo, do Legislativo e do Judiciário. "Não há condição de dar ajuste de 70% pra ninguém em nenhum lugar do mundo. Não podemos aceitar irresponsabilidades nem a teoria do quanto pior melhor", disse numa referência ao aumento pedido por servidores do Judiciário, que taxou de "exorbitante".

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