Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

'Eu estou sempre em campanha', diz prefeito

Rio - Aliado da presidente Dilma Rousseff, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) diz que o governo "fabrica" crises desnecessárias por falta de diálogo. Defende a candidatura própria do PMDB para presidente da República, mas nega a intenção de disputar e, a contragosto, anuncia que será candidato a governador em 2018.

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

05 Abril 2015 | 02h04

No conflito com o governo por causa da dívida, o senhor se queixou de "crise política desnecessária". O governo não dialoga?

Sou aliado da presidenta Dilma, sou grato a Dilma e torço pelo governo dela. Não sei se esse problema vem se repetindo, comigo foi a primeira vez. Como aliado, quando vejo o que aconteceu comigo, começo a entender que as crises são fabricadas de maneira absolutamente desnecessária. Falta uma coisa básica chamada diálogo.

O senhor causou mais uma crise no governo, que já tem uma série de embates com o PMDB. Por que o senhor foi à Justiça?

Passei um mês e meio sendo enrolado e ninguém gosta de ser enrolado. (Isso) me levou a uma atitude que me causa constrangimento. Sabia que essa situação podia causar alguma dificuldade ao ajuste fiscal, tanto que já cheguei dizendo que abro mão da liquidez desses recursos este ano e aguardo até ano que vem.

O senhor diz haver hipocrisia de não se falar em campanha fora da eleição. Acredita que é hora de apresentar seu candidato?

Eu estou sempre em campanha. Há uma criminalização da atividade política e nem todos políticos são criminosos. Não é possível que eu seja prefeito e não possa apresentar para a cidade o nome que acho qualificado para me substituir. Caberá à população julgar.

O senhor hoje simboliza a intenção do PMDB de ter candidato próprio à Presidência em 2018. Quais são seus planos?

Me incluam fora dessa (sic). Esse conjunto de especulações está me obrigando a dizer que estou pensando em ser candidato a governador. Me aguardem que pode ser que Eduardo Paes em 2018 esteja pedindo voto para o governo do Rio de Janeiro. Vamos lá: Eduardo Paes será candidato a governador em 2018. Isto posto, é óbvio que o PMDB tem que ter candidato a presidente. Isso não é problema, não é ser oposição a Dilma. Somos governo, o PMDB tem que estar com a presidenta Dilma até 2018. Se ela fosse candidata, seria mais complicado, mas ela não é.

E se o candidato for o Lula?

O Lula é o Pelé da política. Mas não vamos especular. Lula não disse a ninguém que vai ser candidato a presidente.

O PMDB teria alguma chance de vitória em 2018?

Podemos ser melhores que o PT no governo, isso a gente pode mostrar. O PMDB, pelo seu tamanho, sua pluralidade, é o único partido que tem condições de fazer a concertação que o Brasil precisa.

Novos protestos estão marcados para 12 de abril. Podem ser maiores que os de 15 de março?

A única coisa que sei é que quem está lá deve ser ouvido. O pior cego é o que não quer ver.

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