Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

‘Eu é que vou governar’, diz Russomanno

Candidato do PRB reage à nota da Igreja Católica que ataca influência da Igreja Universal em sua campanha e eventual gestão

Ricardo Chapola, de O Estado de S. Paulo

14 de setembro de 2012 | 22h25

"Quem vai governar São Paulo é o Celso Russomanno, que está sendo eleito pelo povo". Foi assim que o candidato do PRB à Prefeitura, Celso Russomanno, respondeu na sexta-feira, 14, à nota emitida pela Arquidiocese de São Paulo em repúdio à sigla do candidato. Escrita a pedido de d. Odilo Scherer, a nota classificou o PRB como partido "manifestadamente ligado à Igreja Universal".

A declaração do candidato combinou com a tônica de seu programa eleitoral também veiculado ontem. Na TV, eleitores aparecem dando depoimentos em favor de Russomanno: "Mexer com Celso é mexer com o povo", diz uma das entrevistadas.

O candidato do PRB procurou minimizar a nota, divulgada em reação a um artigo escrito e publicado no blog do presidente nacional do PRB, Marcos Pereira, em maio de 2011. No texto, o presidente da sigla afirmava que a Igreja Católica tem o "controle das ações do governo, seja federal, estadual ou municipal" e responsabiliza indiretamente a instituição pela distribuição em escolas brasileiras do chamado "kit gay" - material didático de combate à homofobia criado na gestão do então ministro da Educação Fernando Haddad (PT), hoje adversário de Russomanno na disputa municipal. O governo cancelou a distribuição do kit.

Para o candidato do PRB, a nota é uma tentativa de "requentar histórias" por causa de sua liderança nas pesquisas de intenção de voto e disse que a publicação da Igreja Católica responde "a opinião de um blogueiro".

"Esta era uma opinião de um blogueiro, que é o presidente do meu partido. Uma opinião de maio do ano passado, num contexto que era a sobre a distribuição da cartilha (kit gay)", afirmou Russomanno, após caminhada em Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte. "Estão requentando esta história toda porque estamos num bom momento político."

Russomanno foi enfático quando um repórter perguntou se considerava a nota uma reação da Igreja Católica contra o partido ao qual é filiado. "Quem vai governar São Paulo é Celso Russomanno", repetiu duas vezes. O candidato disse também não ter ficado chateado com d. Odilo. "É a opinião dele. Eu respeito a opinião de todo mundo. Ele evidentemente deve estar magoado com o que ele leu, apesar de isso ter acontecido em maio de 2011", ponderou.

O candidato afirmou que agendará uma conversa com o cardeal para esclarecer a situação. Em julho, Russomanno disse já ter tido uma reunião com d. Odilo na Cúria Metropolitana.

Do povo. Com a liderança nas pesquisas, Russomanno usou o horário eleitoral de sexta para se defender de ataques que vêm sofrendo de adversários, o que classificou de "vale-tudo eleitoral". "Esse homem é filho, é marido, é pai. Será que não pensam nisso os que tentam manchar a sua honra?", destacou o narrador, em tom emotivo.

Após a propaganda afirmar que Russomanno "tem sofrido os ataques mais baixos" desde que chegou à liderança, depoimentos de eleitores foram veiculados defendendo o candidato. "Mexer com o Celso, é mexer com o povo", disse uma mulher. "Quem bate no Celso, bate no povo, bate em mim", disse outra entrevistada.

O candidato apareceu no vídeo para afirmar que as críticas não o abalam. "Isso não vai me tirar do rumo." / COLABOROU ISADORA PERON

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