´Eu e a torcida do Flamengo´, diz Garcia sobre apoio a Dirceu

Um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter avisado que o Palácio do Planalto não vai se envolver no projeto de anistia do ex-chefe da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu, o vice-presidente do PT, Marco Aurélio Garcia, - favorável ao indulto - afirmou não ter dado declarações em nome do governo. Assessor de Assuntos Internacionais da Presidência da República, Garcia manteve sua posição. Observou, no entanto, que a opinião não era exclusivamente pessoal. "É minha e da torcida do Flamengo", definiu, em tom bem-humorado.Garcia pregou a anistia de Dirceu no último domingo, ao ser questionado por repórteres se apoiaria um projeto de perdão ao ex-ministro, que teve os direitos políticos cassados até 2015, acusado de ser o chefe do mensalão. Fez as afirmações após participar, ao lado do próprio Dirceu, de um seminário promovido pelo Campo Majoritário em São Roque, no interior paulista. Na ocasião, saiu em defesa do companheiro, depois de abordar os rumos do PT e do socialismo.Lula ficou contrariado ao saber dos comentários do auxiliar. "Eu fui perguntado e respondi, mas a minha posição não envolve o Planalto nem coisa nenhuma", disse Garcia nesta terça, à saída de uma reunião da comissão política do PT, convocada para fechar a lista de cargos a ser apresentada ao presidente. O encontro não foi conclusivo e as demandas do partido para a composição do governo serão levadas à reunião da Executiva Nacional do PT, no dia 26.Na avaliação de Garcia, ao abordar o projeto de anistia para Dirceu, a imprensa está criando "factóides", fatos sem consistência política, apenas para causar impacto. "É uma tentativa de mudar a agenda do País", afirmou o assessor especial de Lula, que ocupou a presidência do PT durante três meses, quando o deputado Ricardo Berzoini (SP) foi obrigado a se afastar por causa do escândalo do dossiê contra tucanos.PreocupaçãoA movimentação de Dirceu preocupa o Planalto. Lula já disse aos ministros da coordenação de governo que não quer o Executivo envolvido nesse assunto. O presidente teme que a tentativa de setores do PT de promover o resgate político do ex-chefe da Casa Civil ofusque o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com o qual pretende marcar o seu segundo mandato.Dirceu está em plena campanha pela anistia. Seus aliados vão tentar obter 1,5 milhão de assinaturas para apresentar um projeto de lei de iniciativa popular, defendendo o indulto. Para aprovação do projeto em plenário são necessários os votos de pelo menos 257 deputados - maioria absoluta dos 513 parlamentares. Se passar por todos esses obstáculos, o futuro do ex-chefe da Casa Civil ainda estará nas mão de Lula. Motivo: para entrar em vigor, a proposta depende de sanção presidencial.

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